Inquérito nacional sobre parto e nascimento

Metodologia

A pesquisa Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre o parto e o nascimento, é um estudo multicêntrico de base hospitalar com abrangência nacional, coordenado pela Escola Nacional de Saúde Publica Sergio Arouca (ENSP-Fiocruz) e com participação de renomadas instituições publicas de ensino e pesquisa.

A pesquisa acompanhou 23.984 mulheres e seus bebês em estabelecimentos de saúde públicos, conveniados ao SUS ou privados, que realizaram mais de 500 partos por ano, entre fevereiro de 2011 e outubro de 2012. Foram coletados dados em 266 hospitais de 191 municípios, incluindo as capitais e algumas cidades do interior de todos os estados, das cinco regiões do país. Em cada hospital, a permanência da equipe foi de pelo menos 7 dias (até 2 meses) a fim de entrevistar 90 mulheres em todos os turnos. Duas novas entrevistas foram realizadas por telefone, a primeira nos primeiros seis meses e a segunda após 12 a 18 meses do parto.

Comitê de Ética

O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca/Fiocruz sob o CAAE 0096.0.031.000-10. Todos os cuidados foram adotados para garantir o sigilo das informações coletadas, tanto das mulheres e de seus conceptos, quanto das instituições, sendo os dados apresentados de forma agregada pelas cinco macrorregiões do país.

A aprovação por um Comitê de Ética em Pesquisa reconhecido nacionalmente foi fundamental para que o projeto tivesse aceitação nas diferentes instâncias em que o mesmo teria que transitar. Ainda assim, a exigência de aprovação pelo CEP de instituições em que foi realizada a pesquisa foi uma constante durante o trabalho de campo. Este foi, sem dúvida, um dos maiores entraves enfrentados pelos pesquisadores, no sentido de cumprir os prazos determinados para início dos trabalhos de campo.

Mapa da amostragem

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Sujeitos do estudo

Foram elegíveis para este estudo todas as mulheres admitidas nas maternidades selecionadas por ocasião da realização de parto e seus recém-nascidos vivos ou mortos, durante o período em que a equipe esteve no estabelecimento de saúde. Foram critérios de exclusão: puérpera com transtorno mental grave, que não permitisse a comunicação com o entrevistador; indígenas ou estrangeiras que não compreendiam o idioma português; surda/muda; e mulheres internadas por decisão judicial para interrupção da gravidez.

ELEGÍVEIS para o estudo:

  • Mulheres com parto de feto vivo de qualquer peso ou idade gestacional ocorrido no hospital;
  • Mulheres com parto de feto morto com peso > 500g ou IG >20 semanas ocorrido no hospital

NÃO ELEGÍVEIS para o estudo :

  • Mulheres com parto em outra unidade hospitalar, domicílio, via pública ou transporte publico, bem como mulheres cujo bebê tenha nascido morto com peso < 500g ou IG < 20 semanas
  • Mulheres tendo parto no domicílio, em via pública ou transporte, internadas até 6 horas após o parto, deverão ser registradas no formulário “Lista de puérperas não elegíveis”
  • Mulheres com transtorno mental grave, que não permita a comunicação com o entrevistador; indígenas ou estrangeiras que não compreendam o idioma português; surda/muda; e mulheres internadas por decisão judicial, para interrupção da gravidez, não serão entrevistadas

Coleta de dados

A duração da coleta de dados variou de uma semana a quatro meses, na dependência do número de partos/ano ocorridos no estabelecimento de saúde. Excepcionalmente nos estabelecimentos com 13 ou mais partos/dia, o período de coleta de dados poderia ser completado em até quatro dias, mas nestes casos o período foi estendido para, pelo menos, sete dias corridos, com vistas a incluir todos os dias da semana. Nestes estabelecimentos as puérperas foram sorteadas aleatoriamente, a partir de uma listagem de internação diária, que incluía partos diurnos e noturnos.

Logística de campo

Foi definido um cronograma de treinamento das equipes de campo de cada Estado da Federação, precedendo o início da coleta de dados. Ficou acordado que todo o treinamento seria coordenado por um membro da equipe central, para permitir a sua padronização, especialmente pela aplicação de formulários eletrônicos, envio dos formulários para o servidor da Fiocruz, acompanhamento da coleta de dados em tempo real pela equipe estadual e nacional.

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Antes do inicio da coleta de dados o coordenador estadual e o supervisor de área, visitaram o município selecionado com a responsabilidade de entregar uma carta da coordenação do projeto ao gestor municipal, acompanhada de uma cópia resumida do projeto e do parecer do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Três termos de consentimento livre e esclarecido foram entregues: um para ser assinado pelo gestor aceitando a inclusão do município no estudo e os outros para dar ciência do que o mesmo foi entregue ao diretor do estabelecimento de saúde e às puérperas selecionadas para o estudo. Os supervisores foram responsáveis pelo agendamento de visita aos estabelecimentos de saúde selecionados. A equipe de campo permaneceu na instituição selecionada o tempo necessário para completar o número de puérperas amostrado. As puérperas que aceitaram participar foram entrevistadas no pós-parto imediato, no horário de sua conveniência ainda durante a internação na maternidade.

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Durante o trabalho de campo todo entrevistador utilizava camiseta, mochila e crachá com a identidade visual da pesquisa, a fim de permitir sua identificação pelos profissionais do hospital e pelas puérperas. informações dos prontuários foram obtidas após a alta da puérpera e do recém-nascido.

Instrumentos de coleta de dados

Diante dos diferentes desfechos a serem estudados durante a pesquisa, foram estabelecidos cinco instrumentos para a coleta de dados, a saber:

  1. entrevista com a puérpera ainda durante a internação hospitalar;
  2. coleta de dados do prontuário materno e do recém-nascido;
  3. entrevista com gestores locais sobre a estrutura da unidade hospitalar;
  4. entrevista com a mulher após o parto, por via telefônica, realizada por empresa especializada contratada especificamente para esta finalidade;
  5. fotografia do cartão pré-natal das gestantes e dos laudos de seus exames de ultrassonografia para posterior transcrição para instrumento de registro de dados

As entrevistas com as puérperas e a coleta dos dados de prontuários foram realizadas diretamente em netbooks, previamente preparados com programas desenvolvidos para o registro das informações e posterior exportação dos dados para a central de armazenamento. Esse programa possibilitou uma crítica prévia à entrada dos dados, agilizando a utilização do banco de dados. Cada entrevistador e cada supervisor recebeu, antes do início do trabalho de campo, um login e uma senha, que eram armazenados junto com os dados da entrevista/ prontuário e permitiam a identificação do responsável pelo preenchimento do instrumento.

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A decisão de utilizar netbooks, em vez de instrumentos impressos, embora tenha resultado em um menor tempo para a chegada do dado ao servidor da pesquisa na Fiocruz, exigiu da equipe um esforço redobrado na elaboração das questões, uma vez que não haveria a possibilidade de deixar respostas em branco para preenchimento posterior, após consulta aos supervisores. Esta decisão implicou que todas as possibilidades de respostas para cada uma das questões tivesse que estar contemplada para reduzir, ao máximo, as dúvidas sobre o item a ser marcado pelos entrevistadores.

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Análise estatística

Foram estimadas as prevalências e os respectivos intervalos de confiança para todos os desfechos deste estudo, levando-se em consideração a estratégia de amostra utilizada. A associação entre variáveis demográficas, socioeconômicas da puérpera, complicações obstétricas e neonatais foram investigadas em análises bivariadas, estratificadas e em modelos multivariados. Os testes estatísticos foram aplicados de acordo com a distribuição dos dados e homogeneidade das variâncias dos grupos a serem comparados. Em todas as análises foi levado em conta o delineamento complexo de amostragem.