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63 anos em movimento

Data de publicação: 
01/10/2017
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca comemora aniversário debatendo crise brasileira à luz dos direitos conquistados na Constituinte

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) comemorou seus 63 anos de luta pela universalização da saúde pública no país com uma programação em torno do tema “Democracia e Saúde. Saúde é Democracia”, entre 4 e 6 de setembro. Conferências, mesas redondas e atividades culturais buscaram refletir o momento atual do país, 30 anos depois da Constituinte.


O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, defendeu que o “Brasil precisa de uma revolução”. O teólogo e escritor Leonardo Boff tratou da “crise brasileira como desafio e perspectivas de futuro”.


Ainda houve a instalação do conselho consultivo da escola, m espaço de interlocução com a sociedade brasileira, constituído por 13 integrantes, dirigentes da área de saúde e referências nos campos da ciência, tecnologia e direitos humanos. Presidido pelo diretor da escola, Hermano Castro, o conselho conta com Bia Barbosa, coordenadora do Intervozes, coletivo que trabalha pela efetivação do direito humano à comunicação no Brasil; Gastão Wagner, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco); Guilherme Boulos, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST); João Pedro Stédile, membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Jorge Venâncio, coordenador da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Conselho Nacional de Saúde (Conep/CNS); o engenheiro sanitarista Luiz Roberto Santos Moraes; Naomar de Almeida Filho, reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). E ainda: Paulo Marchiori Buss, coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz); Roberto Leher, reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Simone Dalila Nacif Lopes, juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro; a sanitarista Sonia Fleury; a historiadora Virginia Fontes; e o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos.


Cabe ao consellho pronunciar-se sobre as diretrizes, políticas e atividades da Ensp, em consonância com as políticas nacionais de saúde, educação, ciência e tecnologia; subsidiar a escola com vistas ao avanço institucional, atendendo às expectativas da sociedade brasileira; e recomendar a adoção de providências para a adequação das atividades técnicas e científicas aos objetivos da instituição. Os pronunciamentos do conselho terão a forma de recomendação.


Avesso a homenagens, o pesquisador titular do Departamento de Endemias Samuel Pessoa (Densp/Ensp) Paulo Sabroza recebeu tributo por sua atuação na escola. O amigo Luciano Toledo, coordenador do Laboratório de Monitoramento Epidemiológico de Grandes Empreendimentos (LabMep), fundado pelos dois pesquisadores, fez uma síntese da trajetória de Sabroza, que começou suas atividades na Ensp como docente ainda nos anos 1970. Nas décadas seguintes, o pesquisador ajudou a formar profissionais da Saúde Pública, participou de pesquisas importantes e se tornou uma referência como epidemiologista. “O nome de Sabroza se confunde com o próprio nome da escola”, afirmou o diretor da Ensp, Hermano Castro.

Guilherme Boulos
Coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
“O momento atual apresenta como desafio fazer de maneira séria o debate de que tipo de transição queremos e que tipo de programa podemos construir conjuntamente como saída popular para o atoleiro em que país foi metido. Foi a perda da capacidade de mobilização popular que proporcionou o golpe, que impediu a derrubada de um governo com 3% de aprovação e que permitiu as perversas reformas. Esse processo ainda não tomou forma de resistência política, mas pode tomar. A convulsão vai para um lado ou para o outro, dependendo do tipo de relação que se vai construir. A disputa está dada. Precisamos construir coletivamente um rumo, nos conectar com as demandas e sentimentos do povo. A crise pode se desdobrar em alternativas e cenários interessantes para a maioria, abrir caminhos importantes, capazes de resgatar a esperança em um novo projeto de país. Se não estivermos à altura disso, podemos nos deparar com um deserto de anos — e talvez décadas — de consolidação conservadora”.

Leonardo Boff
Teólogo e escritor, conhecido por sua defesa dos direitos dos pobres e excluídos
“Estamos encerrando o ciclo de um tipo de política, um tipo de Estado, que esgotou suas virtualidades. O atual modelo criou problemas e agora não tem recursos próprios para dar solução a eles. Albert Einstein dizia que o pensamento que criou a crise não pode ser o mesmo que nos tira da crise. Quatro nós estão na raiz da crise brasileira: o etnocídio indígena, o passado colonial violento que impôs uma relação de dominação na sociedade, a escravidão e o patrimonialismo, que é a base da nossa corrupção — a transformação do bem público em bem particular. Nossa democracia é antes uma farsa do que uma realidade. Representa antes os interesses corporativos dos grupos que financiam as eleições e mantém uma organicidade com a classe dominante, sempre de costas para o povo. É necessária uma refundação do Brasil sobre outras bases que não essas. Resgatar a utopia, enriquecer a democracia. O primeiro bem do Estado é garantir o bem-viver a todos os cidadãos — não aquele bem-viver que, para um ter a boa vida, muitos têm que ter a vida ruim, mas sim o equilíbrio para que todo mundo tenha o decente”.

 

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