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Súmula

Ciência brasileira na UTI

Data de publicação: 
01/01/2018

2017 será lembrado como um ano desfavorável para a ciência, a tecnologia e a inovação no país, se depender de recursos públicos para ações de pesquisa. “Se a ciência brasileira fosse uma pessoa, ela hoje estaria internada na CTI e respirando por aparelhos”, definiu o jornalista Felipe Betim, em artigo no site do El País (30/11), comentando o corte de 44% nas verbas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, em 2017, e já prevendo a possibilidade de diminuição de mais 25% no montante para 2018. A previsão de Felipe se confirmou em parte quando o Congresso Nacional aprovou (13/12) o orçamento de 2018 (PLN 20/2017), prevendo um aumento de 1% no orçamento geral e 2,6% no movimentável — o que na prática diminui em 19% as verbas para CT&I em 2018.
A notícia foi criticada na revista Galileu, que em sua página na internet (15/12) comentou a decisão, a partir de informações do relator do orçamento, deputado Cacá Leão (PP-BA). “É o primeiro orçamento votado depois da aprovação da Emenda Constitucional 95, que instituiu o teto de investimentos públicos”, destacou a revista, informando que o corte aguardava sanção do presidente Temer.
A comunidade científica reagiu à proposta: “Orçamento aprovado terá consequências sérias para a CT&I brasileira”, declarou Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ao Jornal da Ciência (14/12), quando comentou que o governo não teria atendido aos apelos dos cientistas e deixou o orçamento da Pasta de CT&I em nível dramático. “Junto a muitas outras entidades, nós travamos uma batalha intensa junto ao Congresso Nacional, ao governo, para que o orçamento fosse aumentado. Infelizmente, a proposta mais recente que encaminhamos não foi atendida pelo relator — e, portanto, pelo governo que o indicou. Isso ignifica que o orçamento para 2018 é menor que o de 2017, e significativamente muito menor que o de anos anteriores”, criticou.
A medida também recebeu críticas do colunista da Folha de S.Paulo, Salvador Nogueira, que chamou atenção (16/12) que a promessa de ajustar o gasto público e colocar sob controle o déficit crescente no Orçamento federal só teria sido cumprida no Ministério da Ciência, o que em sua avaliação significa “a ruína para um setor que já começa a enfrentar fuga de cérebros para o exterior e o esvaziamento das carreiras científicas”. “É um tombo na ciência brasileira que demoraremos uma década para recuperar”, declarou Celso Pansera (PMDB-RJ), na sessão de votação do orçamento, fala registrada pelo Jornal da Ciência (14/12).
 

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