Portal ENSP - Escola Nacional de Sa??P??ca Sergio Arouca Portal FIOCRUZ - Funda? Oswaldo Cruz

Revista Radis reportagens

 

Saúde materno-infantil

Medicalização excessiva, problemas no acesso e falta de humanização ainda caracterizam o modelo de assistência a mãe e bebê no país, mas é possível reverter esse cenário

Elisa Batalha
Fotos: Marina Boechat

Assim que recebe o resultado positivo confirmando a gravidez, a mulher deve se encaminhar o quanto antes para a primeira consulta de pré-natal. Várias campanhas nas últimas décadas incentivaram essa atitude e foram bem sucedidas, o que se expressa no índice de 99% de mulheres no país que passam por pelo menos uma consulta durante a gravidez. No entanto, há estudos mostrando que os objetivos do pré-natal, de prevenir e tratar agravos antes que atinjam mãe e bebê, não têm a eficiência esperada.

O sistema de saúde suplementar do país ostenta a maior prevalência de cesarianas do mundo. Para entender o porquê desse altíssimo número de cirurgias, a pesquisadora Jaqueline Alves Torres, enfermeira obstétricadoutoranda da Ensp/Fiocruz, identificou um hospital da rede privada diferente da maioria. A maternidade, de grande porte, onde se realizam em torno de 2.500 partos por ano, apresentou índices de cesáreas de 46%, bem menores que a média nacional de 82% na rede suplementar.

As complicações decorrentes do aborto são a quarta causa de morte materna, e estima-se que um milhão de gestações sejam interrompidas por ano no país. “O cálculo é feito segundo as internações decorrentes de aborto induzido. Para cada internação, supõe-se que outros três foram realizados sem resultar em complicação”, explica Maria do Carmo Leal, coordenadora do projeto Nascer no Brasil: Inquérito sobre parto e nascimento, realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).

Nascem por ano no Brasil três milhões de bebês. Mais de dois milhões desses nascimentos são assistidos exclusivamente pelo SUS. Com a proposta de disseminar no país um novo modelo de atenção, a Rede Cegonha, programa lançado em março de 2011 pelo Ministério da Saúde, pretende ampliar a rede de assistência às gestantes e aos bebês, com ações qualificadas no pré-natal, no parto, no resguardo e desenvolvimento da criança até que complete dois anos.

Um detalhe chama a atenção de quem circula por qualquer um dos dois Centros de Parto Normal do Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte: os quartos foram batizados com nomes de personalidades femininas importantes da história mineira e nacional, como Dona Beija, Chica da Silva e Adélia Prado. A homenagem é coerente com a filosofia de atendimento humanizado dessa maternidade de grande porte, em que se incentiva o protagonismo da mulher no parto.

IDSUS

O IDSUS é apenas um dos mecanismos de avaliação do Ministério da Saúde, por intermédio do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS (Demas). O índice faz parte de um conjunto de medidas implementadas em 2011, que incluem a Carta SUS (Radis 103 e 115), o Programa de Avaliação da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ) e a Ouvidoria ativa para a Rede Cegonha, entre outras.

CAPES

Produção científica brasileira cresceu mais que a média mundial, mas ainda não superou início tardio

Bruno Dominguez

A produção científica brasileira vive momento de crescimento, ao mesmo tempo em que encara o desafio de chegar ao patamar alcançado pelo país em termos de Produto Interno Bruto — soma de todos os bens e serviços produzidos em um país durante certo período. O Brasil está em 6º lugar no ranking das maiores economias do mundo, mas em 13º no dos países com maior produção científica.