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Revista Radis Comunicação e Saúde

Comunicação e Saúde

Feminismo na rede

Data de publicação: 
01/05/2015
Revista eletrônica voltada para o público adolescente investe na liberdade de temas e protagonismo das mulheres

A internet vem dando fôlego aos mais diversos tipos de movimentos sociais, e o feminismo também aderiu à mobilização on-line. Com muitas caras novas e infinitas possibilidades de interação, a revista teen Capitolina é uma publicação declaradamente feminista que serve como exemplo para essa nova fase. Sua equipe é composta por 74 mulheres, entre 17 e 27 anos, que buscam agregar uma pluralidade de bandeiras, diferentes orientações sexuais e origens diversas para compor suas pautas, informam as editoras Clara Browne, Lorena Piñeiro e Sofia Soter. “A Capitolina é um espaço para o público (feminino) adolescente ter o poder sobre ele mesmo, e não de imposições. É ter liberdade e não restrições”, afirma Sofia.

Entre matérias semanais e mensais, se engana quem pensa encontrar nas páginas apenas registros e discussões sobre a causa feminista. Textos sobre games, receitas e moda dividem espaço com pautas politizadas e teóricas, como matérias já publicadas sobre as identidades trans, o perfil do trabalho da psiquiatra Nise da Silveira e uma discussão sobre publicidade e gênero. As editoras defendem que o público feminino adolescente é desvalorizado de diversas maneiras. “Você não pode tratar as adolescentes como se você fosse condescendente e soubesse mais do que elas”, avaliou Sofia. Ela afirma que a todo momento as meninas são descritas de forma superficial, seus problemas inferiorizados e sua capacidade crítica diminuída, principalmente pela grande mídia. Para não reproduzirem o mesmo papel e “oprimir o seu público”, as meninas decidiram criar uma revista com uma nova postura: “Colocamos as leitoras na frente da nossa militância”, define Lorena. É a partir dessa atitude, segundo ela, que surge o espaço da Capitolina, aberto aos mais diversos tipos de militância.

Esse novo tipo de abordagem para adolescentes vem chamando a atenção de um público cada vez maior, fato confirmado pelos números. A Capitolina completou um ano em abril e já apresenta um público considerável: em torno de três mil acessos diários no site, quinze mil curtidas no Facebook e mais de 600 seguidores no Instagram. O trabalho também tem recebido atenção da grande imprensa, como os jornais O Dia e Folha de S.Paulo. Para Lorena, a revista passa por um momento “divisor de águas”, quando suas integrantes estão discutindo novos rumos, mudanças necessárias e novas possibilidades. Ela explica que o reconhecimento não gera renda, o que obriga as colaboradoras a exercem outras ocupações para se manterem financeiramente.

Outro desafio para a equipe é lidar com a intolerância presente nos comentários, alguns extremamente agressivos, contra a postura feminista. As garotas já foram acusadas de “feminazis” — para não citar outros termos impublicáveis. Diante das ofensas, as editoras evitam o confronto, para que o ambiente da Capitolina não se torne agressivo. “Comentários agressivos não ficam nas nossas páginas. Nós bloqueamos todos. Não vemos necessidade em expor esse tipo de conduta para as nossas leitoras ou até envolvê-las em um ambiente hostil”. Lorena explica que o fato de a revista ter uma equipe de 74 pessoas ameniza a situação: “A agressão nunca é voltada só para uma de nós, mas para todas. Isso dilui o incômodo e fortalece nosso companheirismo”.

A rede social Facebook funciona como centro empresarial da revista; é lá onde os diversos grupos que trabalham se comunicam como se estivessem no espaço físico de uma redação jornalística. Tudo é discutido e decidido pela internet. Para evitar interferências no teor crítico dos textos publicados pela Capitolina, suas editoras optaram por não encontrar fisicamente as demais colaboradoras. Muitas integrantes nunca se viram ao vivo. O compromisso com os prazos estabelecidos para abastecer o site, no entanto, é cumprido com rigor. As meninas apostam em outro conceito que consideram fundamental para o exercício da cidadania: a solidariedade.

Autor: 
Laís Jannuzzi

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