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Revista Radis reportagens

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Currículo extenso

Data de publicação: 
01/02/2016
 Haity participou ativamente de movimentos de desenvolvimento de instituições científicas, como a SBPC e a Universidade de Brasília. (Foto:Arquivo pessoal/ Renato Cordeiro)

Entre muitos temas e objetos de pesquisas, Haity Moussatché desenvolveu estudos sobre a reação anafilática em animais de laboratório, propriedades farmacológicas de frações de venenos de serpentes. Estudou também as propriedades medicinais de substâncias extraídas de plantas nativas e destacou-se, sobretudo, pelo estudo dos mediadores químicos na transmissão do impulso nervoso. Seus trabalhos sobre os choques anafilático e peptônico tiveram repercussão internacional, e o cientista foi autor de um capítulo clássico sobre o tema na renomada publicação científica Handbook of Experimental Pharmacology, de 1966. 

Haity não era conhecido como um pesquisador que se isolasse no laboratório. Participou intensamente dos movimentos e negociações para fortalecer o desenvolvimento das instituições científicas no país. Foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 1948. A convite do antropólogo Darcy Ribeiro, integrou a comissão que planejou a Universidade de Brasília (UnB), em 1959 e 1960. 

Ao longo de sua vida, o fisiologista e farmacologista publicou e apresentou mais de duzentos trabalhos. Foi membro fundador e participou de outras diversas sociedades nacionais e estrangeiras, como a Sociedade de Biologia do Brasil, a Associação Venezuelana para o Progresso da Ciência e a Academia de Ciências da América Latina. Fez parte dos conselhos científicos da Revista Brasileira de Biologia (1953) e da Acta Fisiológica Latino-Americana (1955). 

Fundou também a International Society of Toxicology e a Sociedade de Biologia do Brasil; foi membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências de Nova Iorque, da Federação Mundial de Trabalhadores Científicos, da Associação Venezuelana para o Progresso da Ciência e da Associação para Criação do Parlamento Mundial.

Recebeu ao longo da carreira diversos prêmios, como a Ordem Nacional do Mérito Científico, na classe Grã-Cruz (1993), e o Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro (1986).  Colaborou e foi amigo de eminentes cientistas, como Maurício Rocha e Silva, José Leite Lopes, Mário Schenberg, Ivan Izquierdo, Michel Rabinovich, Walter Oswaldo Cruz, Sergio Arouca, Warwick Kerr e Darcy Ribeiro. 

Defendia a ciência de maneira integral, sem distinção. Nas suas palavras, “diferenciar a pesquisa básica da pesquisa aplicada é pura invenção de gente que não sabe o que é ciência... O que é hoje ciência básica amanhã é aplicada e vice-versa. A metodologia é a mesma, podem conviver”.

Saiba mais:

Ciência e Resistência — Haity Moussatché: um otimista inveterado. Entrevista concedida a Paulo Gadelha e Wanda Hamilton. Cadernos de Saúde Pública, volume 3, nº 1, 1987. Disponível em http://goo.gl/cKHrbi
• “Massacre de Manguinhos: crônica de uma morte anunciada". Artigo de Wanda Hamilton publicado no Cadernos da Casa de Oswaldo Cruz, volume 1, nº 1, 1989. Disponível em http://goo.gl/f4lz2N
• “Haity Moussatché: homenagem ao guerreiro da ciência brasileira”, História, Ciências, Saúde: Manguinhos – julho-out 1998, págs de 443 a 488
• “O massacre de Manguinhos”, livro de Herman Lent. Coleção Depoimentos. Avenir Editora, 1978
• Revista Radis, edição número 120, agosto de 2012: “Um resgate do massacre de Manguinhos” 
Autor: 
Elisa Batalha

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