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Revista Radis sumula

 
 (Foto: Marcelo Camargo / ABR )


Já estão em vigor as mudanças no Calendário Nacional de Vacinação (5/1). As alterações foram nas vacinas contra a meningite, pneumonia, paralisia infantil e HPV. “Essas mudanças são rotineiras. O Calendário Nacional de Vacinação tem mudanças periódicas em função de diferentes contextos. Sempre que temos uma mudança na situação epidemiológica, mudanças nas indicações das vacinas ou incorporação de novas vacinas, fazemos modificações no calendário”, explicou o secretário de Vigilância em Saúde, Antônio Nardi, no site do Ministério da Saúde (5/1). Entre as modificações, os jornais destacaram a diminuição no número de doses da vacina contra o HPV — de três para duas — como registrou o Jornal do Tocantins (5/1), e a informação de que a redução no número de doses não diminui a proteção da população. O Jornal Hoje (6/1) destacou que o Programa Nacional de Imunizações dispõe de R$ 3,2 bilhões para 2016 e ouviu Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, que declarou que as mudanças se basearam em evidências científicas. “Não há nenhum objetivo de economia no programa e sim garantir a efetividade das ações de imunização do nosso país”, disse ao telejornal.

 

Destaque na imprensa nas primeiras semanas de janeiro, cinco estados brasileiros registraram número recorde de transplantes em 2015. No Ceará, foram realizados 1.409 transplantes de órgãos e tecidos, superando os 1.399 procedimentos feitos em 2014, noticiou o site G1 (29/12). O número é o maior desde 1997, ano em que a Central Estadual de Transplantes (CET) foi criada, de acordo com a notícia. O maior número de procedimentos foi de córnea, fígado e de medula óssea. No Paraná, a Folha de Londrina destacou (29/12) que, desde 1995, ano em que a CET foi criada, o estado não contabilizava tantos transplantes de órgãos como em 2015. Foram 495 órgãos transplantados até novembro de 2015 — apenas computados os transplantes de coração, fígado, pâncreas e rim. Ao jornal, a diretora da CET-PR, Arlene Badock, creditou o recorde a uma soma de fatores, entre eles, “o maior preparo dos profissionais de saúde em abrir o protocolo, equipes multidisciplinares cada vez mais atuantes e um programa de conscientização da sociedade sobre a importância da doação de órgãos”. No Rio, o balanço também foi positivo, como noticiou O Globo (4/12). Foram 279 doadores de órgãos e 400 transplantes de córnea, o que representa um aumento de mais de 40% em relação a 2014, segundo a secretaria estadual de Saúde, que desde abril de 2015 mantém uma campanha para incentivar a sociedade a discutir o tema doação de órgãos — que conta com um aplicativo e o site www.doemaisvida.com.br. No Piauí, a comemoração foi pelo aumento no número de captações de múltiplos órgãos (rim, fígado e coração). Foram 19 em 2015, maior número já registrado pelo estado desse tipo de procedimento, noticiou o site Cidade Verde, para o qual Gilson Cantuário, vice-coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO), declarou que a falta de informação ainda dificulta a doação. O Acre também comemorou a realização de 16 transplantes de rim, 14 de córnea e cinco de fígado em 2015, número recorde no estado, que contabiliza 235 procedimentos desde 2006, informou o portal de informações do governo do Acre. 
 
 (Foto: Marcelo Camargo / ABR)

A presidenta Dilma Rousseff sancionou com vetos (11/1) a lei que institui o Marco Legal da Ciência e Tecnologia & Inovação (CT&I) [Projeto de Lei da Câmara 77/2015], que atualiza a legislação visando facilitar o exercício das atividades de pesquisa científica e as importações de insumos realizadas por empresas na execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, entre outros. Na solenidade, a presidenta argumentou que em um ambiente regulatório mais favorável será possível transformar “ciência básica em inovação, e inovação em competitividade, gerando um novo ciclo de desenvolvimento econômico no país”, destacou o site do Valor Econômico (11/1). Segundo a Agência Brasil (11/1), a lei pretende aproximar as universidades das empresas, tornando mais dinâmicos a pesquisa, o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação no país, além de diminuir a burocracia nos investimentos para a área. De acordo com a agência, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, disse que os vetos “não mexem no eixo” do novo marco legal aprovado por unanimidade em dezembro no Congresso. Um dos vetos é referente à isenção do recolhimento de impostos previdenciários sobre bolsas de pesquisa. Outro trecho vetado dispensava a realização de licitação pela administração pública nas contratações de empresas com faturamento de até R$ 90 milhões anuais para prestação de serviços ou fornecimento de bens elaborados com aplicação sistemática de conhecimentos científicos e tecnológicos.

 (Ilustração: Caroline Beck)

 

Remédios sem receita podem prejudicar fígado, rim e até levar à morte, advertem especialistas. O alerta foi reforçado por matéria publicada no site R7 (4/1), que recomenda moderação na prática: “O paciente nunca deve tomar este tipo de remédio por mais de dois dias sem orientação médica. Deve usar a menor quantidade possível, para aliviar uma dor e não para ficar repetindo o seu uso”, disse ao site Paulo Picon, consultor do comitê de medicamentos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, que defende a limitação legal para a venda de qualquer medicamento. Ele cita como exemplo o analgésico paracetamol que, se ingerido em dosagem alta (7 gramas) pode gerar necrose hepática. Segundo ele, a dipirona também oferece risco, já que pode causar a forma mais grave das anemias, independentemente da dose — e, em casos extremos, levar à morte. Também há perigo no uso indevido de antiácidos (que podem causar cálculos renais) e de laxantes (sob o risco de “acomodar” o intestino), orientou Picon. A automedicação também prejudica o controle e tratamento dos efeitos colaterais. A reportagem registrou, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), que, a cada ano, cerca de 20 mil pessoas morrem, no Brasil, vítimas da automedicação (números que incluem fármacos isentos de receita, como colírios e descongestionantes) e que os medicamentos são a causa de 28% de todas as notificações de intoxicação registradas pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), da Fiocruz. Os números também mostram que o número de farmácias por habitante no Brasil — uma para cada 3 mil — é superior ao que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS) — uma para cada 8 mil —, não contabilizando medicamentos ofertados em feiras livres e pela Internet. Além disso, há no país número superior a 12 mil substâncias e 32 mil rótulos de remédios disponíveis no mercado brasileiro, quando o limite recomendado pela OMS é de 300 rótulos ou 6 mil substâncias para cada país.

Em experimento realizado com ratos infectados pelo vírus HSV, o causador das formas mais comuns do herpes, pesquisadores norte-americanos identificaram um esquema cerebral ligado à infecção e conseguiram impedir que ela se manifestasse nos animais. Segundo informações divulgadas pelo Correio Braziliense (8/1), ao observar os animais, os investigadores descobriram que a proteína JNK — também ligada aos episódios de estresse — foi ativada antes de o vírus começar a deixar os neurônios. Eles agora vão testar a técnica em outros animais para saber se a estratégia utilizada nos experimentos com ratos pode se repetir. Os cientistas acreditam que o resultado pode contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos em humanos. “Também ajuda a explicar por que o estresse celular pode causar a reativação do vírus. Esperamos que novos tratamentos possam ser desenvolvidos com base na inibição da DLK e JIP3 no futuro”, declarou Mohanish Deshmukh, professor da Universidade de Carolina do Norte e um dos autores do trabalho. Se confirmados os efeitos em pessoas, a estratégia poderá simplificar o tratamento do herpes e torná-lo mais eficaz. “A possibilidade de usar inibidores para interromper a ação de JNK ou das duas proteínas necessárias para a sua ativação pode ser uma opção mais simples de terapia e que também trará menos efeitos colaterais. Seria uma alternativa aos antivirais, usados com o objetivo de agredir o vírus. Essa nova estratégia apenas impede um procedimento de ativação dele”, comparou o geneticista Gustavo Guida, ouvido pelo Correio.

 (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)


Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) registram que, em dez anos, o número de mortes por câncer de pele cresceu 55% no país. Em 2013, morreram 3.316 brasileiros, média de uma morte a cada três horas, registrou a Agência Estado (4/1). Segundo a reportagem, o envelhecimento da população, o descuido com a pele durante a exposição solar e a melhoria nos sistemas de notificação da doença foram as principais causas do aumento do número de vítimas. “Gerações que tiveram grande exposição ao sol sem proteção estão ficando mais velhas e desenvolvendo a doença”, disse ao portal Luís Fernando Tovo, coordenador do Departamento de Oncologia Cutânea da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Além da proteção ao sol, o médico reforçou a necessidade de o exame dermatológico ser feito periodicamente. Segundo o especialista, as pintas que devem causar maior alerta são as assimétricas, com bordas irregulares, variação de cores, de diâmetro maior, que apresentam evolução ou mudanças. Ao site do jornal Zero Hora, a dermatologista Carolina Garcia Feijó afirmou (1/1) que a exposição ao sol deve ser feita apenas antes das 10 da manhã e depois das 4 da tarde, pois, entre esses horários, o risco do desenvolvimento do câncer de pele é maior. “Mesmo no período indicado, a radiação UVA faz com que a pele envelheça e manche, o que reforça a necessidade do uso do protetor solar”, disse. A médica recomendou o uso de um produto com fator de proteção solar no mínimo 30 em áreas de maior exposição, como rosto, colo e mãos, que deve ser aplicado 30 minutos antes de ir para o sol.

 (foto: Vinoth Chandar)

Notícia sobre cirurgia que teria revertido os efeitos de Alzheimer mobilizou a imprensa e entidades médicas. Realizado (11/12) em um paciente de 77 anos, em João Pessoa (PB), o procedimento de estimulação cerebral profunda (do termo em inglês deep brain stimulation, DBS) foi descrito pelo Correio da Paraíba (27/12) como capaz de frear a evolução da doença em pacientes em estágio inicial — o procedimento funcionaria como um marca-passo cerebral, descarregando microcorrentes elétricas no cérebro, o que estimularia o seu funcionamento. Responsável pela intervenção, o neurocirurgião Rodrigo Marmo disse ao jornal que a operação melhoraria a memória do paciente em um ano, mas ressaltou, em outra entrevista, concedida ao JPB 1ª edição (30/12), que só é indicada em casos excepcionais. “Essa não é uma cirurgia curativa”, reforçou. O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) criticou a divulgação massiva da cirurgia e destacou que só deve ser realizada no Brasil em instituições de pesquisa e universidades, sem cobrança de honorários, informou o site do Jornal da Paraíba (1/1). O neurocirurgião Rodrigo Marmo argumentou que o procedimento já havia sido realizado no Rio de Janeiro, São Paulo e Canadá — com resultados comprovados. “Isso não é uma cura, é uma terapia modulável”, declarou, dizendo-se assustado com a repercussão. A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) manifestou que a cirurgia não representa cura para a doença e teria “ferido os preceitos da ética médica”. A entidade informou ainda que o procedimento se encontra em investigação, já que não está autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os meios de comunicação privilegiaram o tom de confronto ao noticiar os protestos organizados em diversas capitais contra o aumento na tarifa nos transportes coletivos. Em São Paulo, foram reajustadas as tarifas de ônibus, trem e metrô (30/12), informou o site Uol (8/1), destacando a justificativa dada por prefeitura e governo estadual de que a elevação percentual de 8,57% ficou abaixo da inflação prevista para os últimos 12 meses. A cobertura da Folha de S.Paulo (8/1) privilegiou os “confrontos entre Polícia Militar e atos de vandalismo” no Rio de Janeiro, e os bloqueios de terminais de ônibus em São Paulo (11/1). O clima de confronto também baseou o registro dado pelo site G1 (12/1) aos protestos ocorridos na capital carioca — com manchetes que descreviam “confusão em protesto”, “conflito ao chegar na Central do Brasil”, uso de máscaras e número de presos (8/1). O teor foi o mesmo em outras manifestações que ocorreram ao longo de janeiro, principalmente na capital paulista. A cobertura só muda o ritmo quando os próprios jornalistas sentem-se ameaçados. “PM revista jornalistas em frente à Folha por ‘atitude suspeita’” foi o título de uma matéria na Folha de S.Paulo (21/1). A repórter relata o momento em que tem o celular confiscado durante abordagem em cerco policial. “Nós só fomos liberados quando outro funcionário do jornal, questionado pelos agentes, confirmou que éramos jornalistas da Folha. O aparelho foi devolvido, e nós não voltamos a ser incomodados. Já os jovens que corriam da polícia não tiveram a mesma sorte”, diz, na matéria (21/1).

A crise na saúde do estado do Rio de Janeiro, que desde dezembro vem merecendo destaque no noticiário nacional, ganhou mais um capítulo. Desta vez, as protagonistas são as Organizações Sociais (OSs) que administram unidades de saúde na capital fluminense. Segundo publicou O Globo (18/1), oito das 10 OSs que atuam no município vêm sendo investigadas pelo Ministério Público estadual e pelo Tribunal de Justiça do Rio por suspeitas de irregularidades. De acordo com o jornal, as denúncias vão desde o não fornecimento de condições adequadas aos pacientes até supostos desvios de recursos públicos.
 
“Em alguns casos, os auditores constataram sobrepreços de até 508% na compra de medicamentos”, informa a reportagem, que foi manchete do jornal e ocupou duas páginas internas, além de artigos na página de opinião (18/1). Diante das investigações, os promotores do MP recomendaram ao município a suspensão de novas contratações. A posição da secretaria municipal de Saúde veio em forma de nota em que defende o modelo de OS adotado e questiona as investigações, afirmando que “não há sentença ou julgamento desfavorável às OSs com contratos em vigor ou que determinem o cancelamento desses contratos”.
 
No entanto, no dia seguinte, a prefeitura publicou no Diário Oficial o anúncio de 12 medidas para aumentar fiscalização das OSs (O Globo, 19/1). Entre as ações, está a aplicação de multas para aquelas que ficarem abaixo dos padrões de eficiência e com distorções nos preços de compra tabulados pela administração pública, como pontuou o jornal. “Eu gostaria que a Prefeitura anunciasse que vai mudar o modelo de gestão e não apenas o modelo de fiscalização”, disse o médico e vereador do PSOL-RJ, Paulo Pinheiro, em entrevista à Radis. Para ele, o modelo de administração via OS “não é eficiente nem eficaz nem efetivo”. “No Rio, o modelo foi mal implantado, não resolveu os problemas e, pior, transformou uma discussão de saúde pública em um caso policial”, comentou. 
 
Em artigo publicado em O Globo (18/1), Paulo escreve que considera esse um modelo patrimonialista onde bens públicos e privados se confundem ilegalmente. O artigo do vereador foi publicado em contraponto a um artigo d´O Globo em que o jornal defende o que considera méritos do modelo de gestão por OSs. Paulo é autor de dois projetos de Lei em tramitação na Câmara Municipal do Rio. Um deles determina que as OSs prestem contas dos seus gastos na internet. Aprovado, o projeto foi vetado pelo Prefeito Eduardo Paes e sancionado pelo presidente da Câmara no ano passado. Mas ainda não entrou em vigor porque o prefeito entrou na justiça alegando inconstitucionalidade do projeto. O outro projeto de lei, com data de 2010, pede a revogação da lei das OSs no município. “Esse não entra em pauta para votação de jeito nenhum”, diz o vereador.
 
Em tempo: Apesar de ser uma das oito OSs investigadas pelo Ministério Público, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) assumiu a gestão da Clínica da Família Estácio de Sá, inaugurada em janeiro no Rio. Durante o evento de inauguração da Clínica, o secretário-executivo de Coordenação de Governo da Prefeitura disse que a OS não poderia deixar de participar do processo seletivo, porque a ação ainda não foi julgada, informou O Globo (20/1).