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Revista Radis Comunicação e Saúde

 
Projeto usa personagens de quadrinhos para incentivar empoderamento de meninas e luta por efetivação de direitos
“Lugar de mulher é onde ela quiser”. A frase, muito repetida nos dias de hoje, caracteriza, desde os anos 60, as atitudes de uma das mais famosas personagens dos quadrinhos brasileiros. Criada em 1963 por Maurício de Sousa, a menina Mônica sempre foi decidida, autêntica e orgulhosa de si, desde que estreou em uma tirinha do amigo Cebolinha. Já naquele momento ela apresentava sua forte personalidade, bem distante dos estereótipos comuns a meninas e mulheres da época. De olho na identificação criada entre Mônica e sua turma com crianças do Brasil e do mundo, a Maurício de Sousa Produções criou o projeto Somos todas #DonasDaRua, cujo intuito é elevar a autoestima feminina.
O projeto, que surgiu na página da Turma da Mônica no Facebook, apresenta a biografia de personagens reais que se destacaram na vida e nas artes, como a artista mexicana Frida Khalo, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, a cientista polonesa Marie Curie e a brasileira Carolina de Jesus — primeira escritora negra do país — e incentiva meninas a relatarem suas histórias. O objetivo é “contribuir para que os direitos das meninas sejam respeitados, para que elas possam ser o que quiserem ser”, lê-se no site do projeto. A ideia é inspirar as crianças a acreditar que podem superar obstáculos com determinação, responsabilidade e solidariedade. “Queremos usar essa força natural delas para que cada menina encontre o potencial que traz dentro de si, mostrando a beleza que existe na diversidade”.
Somos todas #DonasDaRua é produzido em parceria com a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU mulheres), e tem seus conteúdos distribuídos nas mídias sociais e também nos gibis. “Queremos que cada menina seja sua própria heroína”, defendem seus criadores, indicando no site outros fundamentos do projeto, além do empoderamento: identidade, igualdade de direitos, diversidade, acesso a serviços de saúde — “para poder usufruir de seus direitos, é preciso, em primeiro lugar, ter saúde, o que inclui acesso à alimentação adequada, atendimento médico, vacinas e medicamentos” — acesso à educação de qualidade, oportunidades, autoestima, segurança e acesso aos esportes. “Seja sua própria heroína. Pois as meninas fortes de hoje serão as mulheres incríveis de amanhã!”, recomendam.
Além dos exemplos históricos, a página do Somos todas #DonasDaRua abre espaço para depoimentos de “donas da rua” reais, que compartilham suas conquistas. A bibliotecária Mônica Pereira da Silva é uma dessas mulheres. Grande fã da turma da Mônica, ela diz à Radis que admira a personagem por ser uma menina poderosa, que inspira muitas outras pelo país. “É um projeto lindo que incentiva a força feminina”, opina. Ela conta que se identificou com o projeto pois vê muito de si na personagem Mônica. “Ela é forte e não aceita abusos, mas também é determinada, solidária e leal”, comenta. 
A bibliotecária lamenta que, ainda em 2017, haja muito o que lutar em relação aos direitos das mulheres na sociedade, tanto no aspecto pessoal como profissional. E disse também que se considera uma dona da rua, pois além de forte e independente, faz outras pessoas refletirem sobre questões importantes como gênero e educação de meninas e meninos, além de orientar a filha adolescente sobre seus direitos. Ela acredita que o apoio das mulheres entre si é fundamental para se ter uma sociedade de mulheres empoderadas. “Não somos rivais uma das outras. Juntas somos mais fortes”, completou.
 
Ludmila Silva