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Revista Radis sumula

Súmula

Brasil assume meta de conter a obesidade

Data de publicação: 
01/04/2017
O Ministério da Saúde apresentou no dia 14 de março metas para frear o crescimento do excesso de peso e da obesidade no país. O anúncio foi feito durante o Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil, em Brasília, evento que faz parte da implementação da Década de Ação das Nações Unidas para a Nutrição (2016/2025). A medida incentiva o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis. O Brasil assumiu como compromisso atingir três objetivos até 2019: deter o crescimento da obesidade na população adulta, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional; reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30%, também entre os adultos; e ampliar em no mínimo de 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente.
 
Para cumprir as metas, é importante a formação de hábitos alimentares saudáveis nas crianças, como demonstrou a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (2016). Segundo o estudo, a ingestão de alimentos ultraprocessados começa já nos primeiros anos de vida: 40,5% das crianças menores de cinco anos consomem refrigerante com frequência. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde, de 2013, apontam que 60,8% das crianças menores de dois anos comem biscoitos ou bolachas recheadas. Uma em cada três crianças brasileiras apresenta excesso de peso, como indicou a Pesquisa de Orçamentos Familiares, feita entre 2008 e 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
O problema não atinge somente os adultos no país. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (2013), mais da metade dos brasileiros está com excesso de peso. A incidência é maior em mulheres (59,8%) do que em homens (57,3%). A obesidade também segue o mesmo padrão. 25,2% das mulheres adultas do país estão obesas contra 17,5% dos homens. O índice mantém a mesma proporção na América Latina.
 
Desde 2014, o Guia Alimentar para a População Brasileira orienta a população com recomendações sobre alimentação saudável e consumo de alimentos in natura ou minimamente processados. A publicação é reconhecida mundialmente pela abordagem integral da promoção à nutrição adequada. Os principais vilões dos hábitos saudáveis são os alimentos industrializados, diferentemente da explicação dada pelo ministro da Saúde Ricardo Barros, que relacionou o problema à ausência das mães — “Hoje as mães não ficam em casa, e as crianças não têm oportunidade, como tinham antigamente, de acompanhar a mãe nas tarefas diárias de preparação dos alimentos. E vai ficando cada vez mais distante a capacidade de pegar um alimento natural e saber consumi-lo”, disse o ministro, ao fazer o anúncio do plano de metas para reduzir a obesidade no país.
 
Ainda de acordo com o guia, adotar uma alimentação saudável não é meramente questão de escolha individual. Muitos fatores — de natureza física, econômica, política, cultural ou social — podem influenciar positiva ou negativamente o padrão de alimentação das pessoas, como morar em bairros ou territórios onde há feiras e mercados que comercializam frutas, verduras e legumes com boa qualidade torna mais factível a adoção de padrões saudáveis de alimentação. “Outros fatores podem dificultar a adoção desses padrões, como o custo mais elevado dos alimentos minimamente processados diante dos ultraprocessados, a necessidade de fazer refeições em locais onde não são oferecidas opções saudáveis de alimentação e a exposição intensa à publicidade de alimentos não saudáveis”, aponta o documento.
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