Portal ENSP - Escola Nacional de Sa??P??ca Sergio Arouca Portal FIOCRUZ - Funda? Oswaldo Cruz

Revista Radis reportagens

 
Ameaça de extinção de reserva mineral mobiliza ativistas em favor das unidades de conservação

Quando, diante de um público de mais de 80 mil pessoas, a cantora norte-americana Alicia Keys convidou ao palco principal do Rock in Rio a líder indígena Sônia Guajajara, em 18 de setembro, estava criando um dos momentos mais lembrados do festival. “Existe uma guerra contra a Amazônia. Os povos indígenas e o meio ambiente estão sendo brutalmente atacados. O governo quer colocar à venda uma gigantesca área de reserva mineral”, disse Guajajara para uma multidão que, de volta, gritou “Fora Temer”.

Reunidas após 31 anos, mulheres criticam opressão de gênero e ataque a direitos

Violência, assédio, feminismo, aborto e condições de vida foram alguns dos temas que pautaram o debate de mulheres que chegaram de vários lugares do Brasil para discutir e apresentar propostas para a saúde da população feminina. Uma mistura que deu vida e força ao encontro de 1.800 mulheres reunidas na 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres (2ª CNSMu), aberta na noite de 17 de agosto, em Brasília. Com emoção de sobra para comemorar a realização da conferência, que aconteceu 31 anos após sua primeira edição, em 1986, elas condenaram a violência que atinge todas as mulheres, a misoginia, a opressão de gênero e também o ataque a direitos, como a saúde, assegurados pela Constituição de 1988.

Mulheres do Pará cobram acesso e atenção às questões de gênero e saúde em regiões distantes dos grandes centros

Três dias de balsa. Este foi o tempo de viagem para que Raissuellem Castor, de 26 anos, e Kelmira Ferreira dos Santos, de 24, alcançassem Belém e conseguissem participar da etapa estadual da conferência. Elas representavam as usuárias do município de Prainha, na região do Baixo Amazonas, oeste do Estado do Pará. As viagens foram longas para grande parte das cerca de 500 mulheres que estavam ali. “Muitos estão atrás de sonhos, nós estamos atrás do básico, de coisas que já deveriam existir e funcionar bem”, disse Raissuellem à Radis, explicando que queria, acima de tudo, cobrar agilidade dos laboratórios e ampliação da rede para os exames citopatológicos. Com suas dimensões e distâncias imensas, o Pará tem questões específicas.

A violência impacta a saúde das mulheres de muitas formas e em todas as fases da vida, defende Carmen Lucia Luiz, coordenadora da 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres. “Para se ter saúde é preciso primeiro estar viva”, resume a enfermeira e sanitarista, que chama atenção para as altíssimas estatísticas de feminicídios. Para ela, a violência é estruturante da vida e do cotidiano das mulheres e se apresenta, inclusive, pelo silenciamento. “As mulheres são silenciadas da sintomatologia da opressão, do machismo, da misoginia.

Depois que uma crise de fibromialgia fez com que a cantora americana Lady Gaga cancelasse sua apresentação no Rock in Rio, em setembro, sites e jornais publicaram matérias sobre a doença, que não tem cura e atinge entre 2% a 4% da população mundial. “O sofrimento chega a ser tanto que, ao mínimo toque, o paciente agoniza, podendo ficar debilitado, além de poder desenvolver depressão, insônia e fadiga”, destacou o site IG (19/9). A matéria informava ainda que o número pode ser maior, já que o diagnóstico é complicado e há subnotificação.

Saúde Mental

Documentário narra jornada em saúde mental voltada para atingidos pela construção da hidrelétrica de Belo Monte
(Foto: Arquivo Lilo Clareto)
 
Há um sujeito e há um outro. E entre eles — entre nós — muito para ser feito. Primeiro houve seu João da Silva, pescador, e Eliane Brum, jornalista. Ele disse para ela: “Senhora, é doído. Você constrói tudo pra na hora da velhice dizer: ‘Tô sossegado, tenho uma casa, minha família toda estruturada’. Aí, você abre a mão assim e, xiuuuuu, é igual a uma poça d´água no meio da areia”.

MEDTROP 2017

Enfrentamento das doenças tropicais exige compreensão do ambiente e inclusão dos indivíduos
 (Foto: Agência Brasil)
 
No início do século 20, a cidade do Rio de Janeiro era conhecida como “túmulo dos estrangeiros”, por conta da fama insalubre que carregava. Navios estrangeiros evitavam aportar na então capital da República, temendo a morte de seus tripulantes por febre amarela, peste bubônica, varíola, malária e outras doenças. Nas ruas, a crescente urbanização e o ascendente comércio não conseguiam esconder a disputa travada entre pedestres, sujeira, ambulantes e insetos.
Duas perguntas para Hiro Goto, coordenadora geral da Reunião ChagasLeish 2017
 (Foto: Fernando Martin)

 

Quais os desafios em relação à doença de Chagas?

O grande problema é o acesso ao atendimento. Atualmente, a transmissão do parasito está praticamente controlada, mas existem milhões de pessoas infectadas, que estão desenvolvendo a fase crônica da doença ou irão desenvolver no futuro — são as doenças gástricas e cardíacas, cujo tratamento é complexo e requer uma estrutura de atendimento do sistema de saúde.

Parto humanizado

Mutirão na Casa de Parto aponta para valorização do parir natural e do direito de escolha da mulher
 (Foto: João Amorim)
 
O pessoal chegou cedo. Antes de oito da manhã, já se reunia no quintal da “casinha”, nome afetivo com o qual as famílias se referem à Casa de Parto David Capistrano Filho, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro.