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O que Nos move

Data de publicação: 
01/02/2018
Documentário mostra dinâmica de uma conferência nacional de saúde a partir do engajamento de três delegados
 (Cena de bastidores das gravações de "O que nos move" mostra o diretor de fotografia Paulo Lara, na gravação de imagens de Carlivan, uma das personagens / reprodução)
 
Eronides saiu do Rio de Janeiro para defender os direitos das pessoas com anemia falciforme; Michely deixou o Paraná a fim de lutar pela população negra; Carlivan viajou do Maranhão com a tarefa de apoiar as demandas das pessoas com deficiência. O ponto de encontro dos três foi Brasília, mais especificamente a 15ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em dezembro de 2015. No mar de gente de todos os sotaques e bandeiras que se cruzam nos corredores de um evento dessa dimensão, o recém-lançado documentário “O que nos move”, do Selo Fiocruz Vídeo, destaca o vai-e-vem desses três delegados de modo a abordar a dinâmica por trás da aprovação de cada uma das recomendações do controle social para a saúde do Brasil.
 
A direção é da jornalista e documentarista Daniela Muzi, pesquisadora do campo da Comunicação e Saúde, para quem era preciso mudar o foco da cobertura das conferências, geralmente centrada na gravação das plenárias e entrevistas com delegados e autoridades. “Há claro predomínio dos discursos de personalidades do campo da saúde, especialistas, pesquisadores, gestores. Mas quem já participou ou acompanhou um evento como esse sabe que há muito além das plenárias e muitas vozes nem sempre ouvidas. Realizamos um documentário que mostra as expectativas, tensões, conflitos, os olhares, não olhares, as falas e momentos de silêncio para tentar descobrir ‘o que nos move’ em defesa do SUS”, conta.
 
 (Michely e Eronides, dois dos conselheiros que foram personagens da produção / Fotos: Divulgação e Eduardo de Oliveira)
 
A abordagem, segundo Daniela, surgiu a partir da leitura de uma reportagem da Radis, “Muito prazer, delegadas!” (edição 158). A repórter Ana Cláudia Peres acompanhou em outubro de 2015 a participação das delegadas Erika Arent, Ana Cristina Engstron e Norma Maria de Sousa na 7ª Conferência Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. Outra referência foi o “cinema direto”, tradição cinematográfica em que o documentarista acompanha a ação sem influenciá-la.
A equipe da VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, composta ainda pelo diretor de fotografia Paulo Castiglioni Lara e pelo técnico de som Marcos Renkert, acompanhou um delegado a cada dia da 15ª, todos eles representantes dos usuários. Montagem e finalização couberam a Gislaine Lima. “O documentário segue a ordem cronológica dos acontecimentos pelo ponto de vista dos conselheiros de saúde, sem nenhuma entrevista, apenas seguindo o desenrolar da ação”, explica Daniela. Assim, sem roteiro definido, a diretora buscou “ser menos protagonista e mais coadjuvante” na narrativa.
 
Não escapa ao registro cinematográfico a atenção dada na 15ª ao processo de impeachment da presidenta reeleita em 2014, Dilma Rousseff. No terceiro dia do evento, o então presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, hoje preso por recebimento de propina, aceitou o pedido de impedimento protocolado por partidos da oposição a Dilma. “A 15ª entrou para história, pois além de ter sido uma das conferências mais populares depois da 8ª Conferência, não discutiu apenas a saúde da população, mas também a saúde da democracia”, avalia a documentarista.
 
Autor: 
Bruno Dominguez

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