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Revista Radis Comunicação e Saúde

 
Guia editado pelo coletivo Intervozes orienta cobertura jornalística responsável sobre direitos humanos

“Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?” A frase premonitória, postada em uma rede social pela vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ), um dia antes de ser assassinada, ao lado do motorista Anderson Pedro Gomes, dia 14 de março, no Centro do Rio de Janeiro, denunciava um episódio de violência e a truculência policial na comunidade de Acari, zona norte carioca — e aponta como pode ser perigosa a vida de ativistas que atuam na defesa dos direitos humanos no Brasil.

Mesmo que a investigação em curso não tenha concluído ligação efetiva entre a morte de Marielle e a sua atuação nesta área, está comprovado que o país é um dos quatro líderes globais em homicídios de ativistas, ao lado de Colômbia, Filipinas e México, de acordo com relatórios publicados em 2017 por Anistia Internacional, pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos e pela ONG Front Line.

Somente em 2017, foram registrados no Brasil 49 casos de ataques contra ativistas — 43 mortes, quase todas relacionadas a disputas ambientais, por terras indígenas ou mineração, além de três casos de intimidação e outras três de espancamento, segundo números divulgados pela organização inglesa Business & Human Rights Resource Center, também em março.

Somam-se ao número de ameaças e ataques o desconhecimento de muitas pessoas sobre o assunto e o uso irrefletido das redes sociais, que têm sido frequentemente usadas como veículos para a disseminação de teorias infundadas — como a que sustenta que direitos humanos existem para defender bandidos, por exemplo — e de acusações levianas que colocam em risco a reputação (e, muitas vezes até a vida) de ativistas, fatores que contribuem para a formação de um cenário favorável ao crescimento de ações violentas e de intolerância.

Neste contexto, recobra sua atualidade o “Guia Mídia e Direitos Humanos”, produzido em 2014 pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, em convênio com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que reúne informações sobre os direitos humanos de mulheres, população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros (LGBT), negras e negros, crianças e adolescentes, população idosa e pessoas com deficiência, e adverte para o papel central dos meios de comunicação na valorização dos direitos destes segmentos, além de orientar a produção para a cobertura ética e responsável sobre temas relativos aos direitos humanos.

O guia foi formulado a partir da compreensão da mídia como espaço público fundamental de formação de imaginários, representações, hierarquias e identidades, e nas consequentes responsabilidade e compromisso de comunicadores com a veiculação de conteúdos, no sentido de evitar “a omissão, o desrespeito, a construção de estereótipos, o machismo, o sexismo, o racismo, a homofobia, a exposição, a mercantilização e a crimininalização de mulheres, negras e negros, LGBTs, indígenas, crianças e adolescentes, idosas e idosos e pessoas com deficiência”, ações que caminham na contramão da construção de uma cultura de respeito à diversidade humana.

Dividido em oito eixos, o guia parte de um breve histórico das lutas e acúmulos políticos sobre o tema, para situar os marcos legais e tirar dúvidas frequentes sobre questões que podem surgir no momento da produção das notícias, além de promover a reflexão sobre o enquadramento midiático dos temas e propor “boas práticas em comunicação”, com exemplos de experiências de respeito aos direitos humanos na mídia. Também estão no material datas comemorativas ou alusivas à organização dos movimentos sociais em defesa do tema, assim como um glossário e um guia de fontes — que podem ser usadas por profissionais de comunicação e pelo público em geral.

Saiba mais
Guia Mídia e Direitos Humanos (baixar)
https://goo.gl/oYXHei