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Revista Radis reportagens

Reportagens

Alimento da diversidade

Data de publicação: 
01/07/2018
Encontro valoriza experiências de cultivo que promovem o respeito ao ambiente, à saúde e às identidades dos povos
 (“A terra é o espaço da liberdade”, afirma Dona Dijé, quebradeira de coco do Maranhão, mulher negra e mãe / Foto: Eduardo de Oliveira)
 
A palmeira de babaçu é uma árvore-mãe. Na região da Mata dos Cocais — bioma de transição entre o cerrado, a caatinga e a Amazônia —, o povo costuma dizer que a palmeira alimenta os filhos como uma mãe. De seu fruto, o coco de babaçu, vem o sustento para as famílias que vivem da extração para produzir leite de coco, óleo, sabão e farinha. Imponente, a palmeira se destaca na vegetação como uma guardiã e seus frutos levam cerca de nove meses para amadurecer — mesmo tempo de uma gestação. Outra semelhança vem dos cachos, que lembram seios que amamentam — de cujas amêndoas se tira um leite com propriedades nutritivas. Mães também são as quebradeiras de coco, mulheres que extraem o fruto da palmeira e lutam para preservar a árvore que é fonte de sustento. São também lideranças e guardiãs em suas comunidades, com forte herança indígena e quilombola, espalhadas pelos estados de Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará.
Dona Dijé, nascida Maria de Jesus Bringelo, de 67 anos, e Maria do Socorro Teixeira Lima, de 66, são duas dessas mulheres. Elas contam como decidiram se organizar em cooperativas e associações para fortalecer o trabalho das quebradeiras de coco babaçu e defender a preservação da palmeira e do cerrado. A região em que vivem integra aquela que é considerada a principal fronteira agrícola brasileira, conhecida como Matopiba (que reúne a sigla de quatro estados brasileiros: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A área é cobiçada pelo agronegócio para a criação de gado e a produção de soja e eucalipto. “Nossas terras estavam sendo tomadas pelo arame, pelo boi e pelo capim. Para criar boi, precisavam derrubar a mata e ali estava indo embora a nossa sobrevivência”, relata Dona Dijé, coordenadora adjunta do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), quilombola da comunidade de Monte Alegre, pertencente ao município de São Luís Gonzaga (Maranhão).
Durante o 4º Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que reuniu cerca de 2 mil participantes em Belo Horizonte, entre 31 de maio e 3 de junho, muitos queriam ouvir os relatos dessas mulheres, conhecer a sua luta e se inspirar em seus exemplos. Porém, antes mesmo de ouvir falar no termo “agroecologia”, as quebradeiras de coco já faziam esse trabalho na prática. “A gente já fazia agricultura familiar sem veneno, só não sabíamos que era uma coisa tão bonita chamada agroecologia”, afirma à Radis Maria do Socorro Lima, coordenadora geral da Rede Cerrado, organização que luta pela preservação desse bioma e das populações tradicionais que vivem nele, como indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco, vazanteiros, pescadores artesanais, extrativistas, geraizeiros, apanhadores de flores e agricultores familiares. Ela ressalta que manter o cerrado em pé é condição para uma vida saudável. “Os fazendeiros desmatam um mundaréu de terra para plantar capim. Acabam as palmeiras, acaba a água. O bioma cerrado é essencial para a preservação da água e da vida”, defende.
O verso de uma cantiga entoada pelas quebradeiras revela a história vivida por muitas delas: “Ô mulher, te chamo porque essa luta é tua/ Deixa essa cozinha, porque essa luta é tua”. “Para quebrar o coco, muitas vezes a gente deixava os meninos em casa, fazia um chá de tamarindo, porque não tinha nem o café para dar aos filhos. Deixava o menino mais velho cuidando dos menores”, relembra Dona Dijé. Com o tempo, essas mulheres perceberam que não bastava trabalhar e extrair a amêndoa do babaçu: era preciso se organizar politicamente em cooperativas e associações, para valorizar o produto e defender os direitos das comunidades e a preservação da natureza. Assim nasceu o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, em 1991, ao lado de outros movimentos e fóruns de populações tradicionais da região. “Hoje não temos mais vergonha de dizer: eu sou quebradeira de coco, eu luto pela terra, pelo babaçu, pelo igarapé, pelo rio”, ressalta. “Quando fazemos isso, a gente está lutando para ter um ambiente saudável e para que a gente possa sobreviver”.
Sem a mata, não existe a palmeira e o sustento das famílias. Por isso, as quebradeiras de coco denunciam o desmatamento e a privatização das terras pelo agronegócio. Com o avanço do gado, do eucalipto e da soja na região, as palmeiras tornam-se “prisioneiras” em terras privadas guardadas por cerca elétrica. “Nossa luta é por terra e território. Sem terra e sem território, nós não podemos produzir. Vamos encharcar as favelas e as grandes cidades. O que vai sobrar para nós são os últimos pedaços da periferia, lá onde ninguém vai nos ver”, reflete Dona Dijé. A luta para promover uma relação saudável e respeitosa com a terra e o ambiente começa em seus próprios lares. “O primeiro enfrentamento é dentro de casa, porque a gente tem que começar a fazer essa discussão com nossos filhos. Quem tem marido, com os maridos, na busca do entendimento de que a gente precisa preservar o meio ambiente. Sem ambiente saudável, não existe saúde”, aponta.
Enquanto o trabalho das quebradeiras incentiva uma relação comunitária com a terra, em que as palmeiras não têm um “dono” e sim pertencem a toda comunidade, o agronegócio se sustenta com base no latifúndio. Por isso, uma das reivindicações do movimento é pela criação de leis de proteção à atividade de extração (conhecidas como “lei do babaçu livre”). Em alguns municípios do Maranhão, como Lago do Junco, São Luiz Gonzaga e Imperatriz, a luta dessas mulheres já levou à implementação de leis desse tipo, que garantem o acesso livre às palmeiras. “A terra para nós é o espaço de liberdade. Quando a gente tem a terra, a gente tem o babaçu, as matas, o rio. É o maior bem comum que o ser humano pode ter”, acrescenta. Dona Dijé conta que as quebradeiras conhecem cada canto das veredas e sabem se orientar pelo sol quando é hora de ir e voltar para o trabalho — fruto de uma tradição herdada dos povos indígenas e quilombolas, de quem aprendeu a ouvir os sinais da natureza.
Com o passar do tempo, ela percebeu que este não é um caminho para se percorrer sozinha: por isso a importância da organização do movimento das quebradeiras de coco babaçu. “A gente lutava para manter a palmeira de babaçu em pé. Hoje a gente luta porque as nossas palmeiras começam a ser envenenadas de avião, o povo bota óleo no olho das pindobas para matar”, relata. Para ela, a produção sustentável, que garante a soberania alimentar da população, é um contraponto ao modelo sustentado pelo agronegócio. “Como nós mulheres somos resistentes, as palmeiras também são: resistem ao fogo, à seca, e elas não morrem”, enfatiza. O que os diferentes povos do Brasil precisam, diz, é de “alimento para viver” e não “para morrer”.

Agroecologia: substantivo feminino

“As mulheres são como as águas: quanto mais se juntam, mais força têm”. Essa constatação serviu de hino para as participantes da Plenária das Mulheres, que abriu a programação do 4º ENA, em um resgate da relação das populações que vivem da terra com os rios brasileiros. Cada região foi representada por um rio: Amazonas (Norte), São Francisco (Nordeste), Paraná (Sul), Araguaia (Centro-Oeste) e Doce (Sudeste). Ao invocar a orixá Oxum, mãe das águas doces para as religiões de matriz africana, as mulheres e representantes de povos tradicionais denunciaram a “morte do rio Doce”, provocada pelo vazamento, em 2015, da barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, em Mariana (MG). 
Os versos de autoria do músico Emilio Dragão, da banda Djambê, cantados pelas participantes, denunciavam o descaso do Estado brasileiro em relação ao crime ambiental: “Rio de lama / Doce, agora amargo / Vem de Mariana, desceu rejeito / Não tem pra ninguém / E varre cama, e sonho, e segue tudo pro além / E diga: Vale / Quanto vale a vida de alguém?”. Para Shirley Krenak, representante do povo Krenak, que habita a região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, os povos indígenas estão se unindo e gritando para trazer o pedido de socorro da “Mãe Terra”. “Cortaram todos os meus galhos, a Vale, a mineração, pensando que meu povo ia morrer. Mas veio o sol e a chuva e me deu vida para viver”, denunciou, em um canto que mistura lamento e esperança.
O encontro de Belo Horizonte — que reuniu uma diversidade de experiências e projetos em agroecologia, com o tema “Agroecologia e Democracia: unindo campo e cidade” — contou com a participação de povos indígenas de 31 etnias, quilombolas, agricultores familiares e urbanos, extrativistas, pescadores artesanais, representantes de comunidades ribeirinhas e outras populações tradicionais, além de estudantes, pesquisadores e educadores. Um dos destaques foi a afirmação do protagonismo das mulheres na luta pela agroecologia e pela soberania alimentar, com o lema “Sem feminismo, não há agroecologia”. “As mulheres estão na vanguarda e na liderança da construção da agroecologia e da defesa dos bens comuns”, afirmou Maria Emília Pacheco, antropóloga e integrante da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), da Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) e do Fórum Brasileiro de Soberania, Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN).
Na visão de Maria Emília, a luta das mulheres reforça que a agroecologia se faz por meio da construção de valores: contra o patriarcado, o machismo, o racismo e o etnocídio de populações indígenas. “Esse é um momento de repolitização, de resistência contra as políticas neoliberais e contra o desmonte das políticas públicas, de afirmação de direitos e contra os acordos que prejudicam a sociedade e o povo brasileiro”, destacou, em sua fala na Plenária das Mulheres. Ela apontou que a crise no abastecimento provocada pela greve dos caminhoneiros, em maio, mostrou a dependência do país em relação aos combustíveis fósseis e a um modelo de agricultura baseado no agronegócio e nos agrotóxicos, incapaz de promover segurança e soberania alimentar para a população. “É um momento de afirmação da nossa capacidade de resistência e de mostrar que uma sociedade que se move tão fortemente pelos combustíveis fósseis deixa de ver alternativas para o modelo dominante de agricultura”, enfatizou. 
Fontes seguras e soberanas de alimentos para o Brasil encontram-se na agroecologia, ressaltou Maria Emília; porém, ela lembrou que o contexto atual aponta para o desmonte das políticas públicas de combate à fome e incentivo à agricultura familiar, com o risco de que o país retorne ao “Mapa da Fome”, do qual não faz parte desde 2014 (Radis 186). “Fica evidenciado o quanto nosso sistema alimentar depende da capacidade e do poder da agricultura familiar e camponesa, dos povos indígenas e comunidades tradicionais para alimentar o Brasil”. Segundo ela, no contexto atual de crise política e econômica, o movimento agroecológico afirma que existem alternativas que oferecem “comida de verdade para o campo e a cidade”: com qualidade, sem veneno, produzida e distribuída por pequenos produtores. “Onde existe uma relação mais próxima e direta com os consumidores, não há desabastecimento. Nesse momento fica muito visível a importância do estreitamento dos laços entre campo e cidade”, completou.
Para a integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), em Mato Grosso, Lucinéia Freitas, a agroecologia não é apenas uma técnica ou um modo de produzir alimentos, mas um projeto de sociedade baseado numa luta antimachista, antirracista e antipatriarcal. “Se tem machismo, racismo e patriarcalismo, não existe agroecologia. Pode ter produção sem veneno e orgânica, mas agroecologia não existe”. Na avaliação dela, um dos desafios internos é superar a violência contra a mulher existente nos lares e afirmar o protagonismo feminino no campo. “Quando a gente vai para o eito [plantio], não é como ajuda, é como trabalhadora que somos”, afirmou. Outra voz foi a da pajé Vanda Macuxi, do estado de Roraima, que relembrou que as roças de seu povo sempre fizeram agroecologia e produziram sem agrotóxico. Ela também enfatizou a necessidade de reconhecer e respeitar as diferentes culturas e modos de ser e estar no mundo. “Me aceita como sou. Se não me aceita, você que cure seu preconceito”, pontuou.
Já Noemi Krefta, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), em Santa Catarina, destacou que a agroecologia tem um papel de resistência, ao preservar e promover a diversidade da alimentação brasileira. “Nossos quintais foram sendo reduzidos cada vez mais. Em muitas casas, a gente viu o milho híbrido e a soja tomando conta, onde antes havia verduras, hortaliças, frutíferas, plantas medicinais e até flores”. Segundo ela, a produção de poucos ou apenas um produto (monocultivos), em grandes latifúndios, empobreceu a alimentação brasileira e, ao invés de garantir o abastecimento, aumentou a fome; também foi responsável pelo surgimento de doenças, com o uso de agrotóxicos. Por isso, diz, é necessário construir outro modelo de alimentação, livre de transgênicos, venenos e alimentos “químicos e sintéticos”. “As sementes são patrimônio dos povos indígenas, quilombolas e dos trabalhadores do campo, que querem se alimentar e produzir”, defendeu.

Quilombolas: territórios de resistência

No sul do Estado de São Paulo, quase na divisa com o Paraná, a região por onde corre o rio Ribeira do Iguape é considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco por ser a maior área remanescente de Mata Atlântica do país (21% do que resta desse bioma). O Vale do Ribeira também concentra o maior contingente de quilombos do estado de São Paulo, além de populações caiçaras, indígenas, pescadores tradicionais e pequenos agricultores. “A região tem grande potencial de recursos naturais e acaba despertando a cobiça por parte dos grandes empreendimentos. Hidrelétricas e mineração já deixaram bastante feridas em relação a formas de opressão a essas populações”, conta Rodrigo Marinho da Silva, quilombola da comunidade de Ivaporunduva, no município de Eldorado (SP), e integrante da Equipe de Articulação das Comunidades Negras do Vale do Ribeira (Eaacone).
O rio é parte da identidade dessas comunidades, como Rodrigo explica: de suas águas e das terras em seu entorno, elas retiram o sustento para as famílias, mantendo uma relação respeitosa e saudável com o ambiente. “A maioria dessas comunidades está localizada na margem do rio e todo seu sistema agrícola, todas suas formas de produção, toda sua vivência está ligada ao rio”, ressalta. Por isso, as experiências agroecológicas — de cultivo e produção sustentável — fazem parte do cotidiano dessas populações. “O desafio é mostrar que a agroecologia é algo que as comunidades sempre fizeram. Às vezes as pessoas perguntam: ‘O que é agroecologia?’, mas estão lá fazendo na prática”, ressalta à Radis. Segundo ele, esse modo de se relacionar com a terra também pode ser pensado como forma de reviver um território degradado.
Quando as barragens construídas pelas hidrelétricas e pela mineração inundam grandes áreas, perde-se, além da terra cultivável, uma parte da própria história das comunidades. “O rio que corre nesse vale também é cobiçado porque ele tem um potencial gigantesco de geração de energia elétrica. As empresas que geram energia e as mineradoras querem se apropriar disso, uma vez que as comunidades estão na margem do rio, porque historicamente ele é um símbolo da região, que recebeu muitos escravos na época do Brasil colônia”, pontua. A luta das populações tradicionais conseguiu impedir a construção de uma grande barragem (Tijuco Alto), pelo Grupo Votorantim, em 2016, que obteve um parecer negativo do Ibama; mas atualmente ainda existem 15 pedidos de PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas) nos 470 quilômetros de extensão do rio. Outra ameaça trazida pelas barragens, de acordo com Rodrigo, é o risco de desastres, que atingem principalmente as pessoas que vivem no entorno. “No caso de um desastre, a gente não tem nem dimensão do impacto”, completa.
Outra consequência das grandes obras é a perda e a desapropriação das terras das comunidades quilombolas e populações tradicionais, pois muitas ainda não são reconhecidas e não foram tituladas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). “Um dos impactos mais preocupantes é o esvaziamento do território, pois essas comunidades são ancoradas na terra. As pessoas são desapropriadas e removidas para as grandes cidades e vão ser mais uma estatística das periferias das grandes capitais”, considera Rodrigo. Para ele, o território quilombola faz parte da memória de luta e resistência de seus antepassados, que encaravam a terra não como “propriedade privada”, mas como um “bem da comunidade”. “O Vale é uma região que concentra cerca de 88 quilombos, em vários estágios, desde aqueles que a gente sabe que são quilombos, mas ainda não se reconheceram, até os que já foram titulados”, aponta. 
A organização em que ele atua trabalha para ajudar no reconhecimento e na titulação das comunidades da região, mas mesmo aquelas que já ganharam o direito à terra ainda convivem com ameaças de vizinhos e outras pessoas que continuam vivendo no território. A mesma realidade é compartilhada por outros quilombolas pelo Brasil. No Espírito Santo, onde existem cerca de 100 dessas comunidades, a principal ameaça é a produção de celulose. “Em Conceição da Barra [município capixaba], 75% da área agricultável está ocupada por eucalipto. Mesmo assim, esse município tem uma das menores rendas per capita do Estado. Esse eucalipto todo não oferece nada para a sobrevivência da nossa gente; ao contrário, a monocultura só traz prejuízo e doenças”, conta Arilson Ventura, liderança quilombola e integrante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
Os saberes e as práticas das comunidades tradicionais são patenteados e comercializados pela indústria de cosméticos e produtos farmacêuticos, como constata Angela Gomes, engenheira florestal e especialista em etnobotânica afro-brasileira. “Grande parte do conhecimento que trouxemos da África em forma de sistema de cura foi chamado de feitiçaria. Quando é feito por nós, chama-se banho de descarrego e é coisa atrasada e primitiva. Quando é feito pelo capital, chama-se banho de ofurô. A indústria farmacêutica pega a nossa ‘garrafada’, reconhece e registra, e ela passa a ser vendida como ‘tintura’ por um preço altíssimo”, exemplifica. Para ela, a agricultura nasceu “agroecológica” na África — e junto com os povos trazidos para o Brasil com a escravidão, também vieram conhecimentos e afetos. “Quando colocam projetos de mineradoras em cima de nosso território, é porque estamos sendo tratados como invisíveis. Quando fomos soterrados pela Samarco, quem estava na frente eram quilombolas. Não é só nosso saber, é a nossa vida que está em jogo”, alerta.
Autor: 
Luiz Felipe Stevanim

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