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Revista Radis sumula

Súmula

Tolerância zero de Trump separa crianças da família

Data de publicação: 
01/06/2018
Enquanto três crianças brasileiras se abraçavam desesperadas, ao chegarem em um abrigo para menores no estado do Arizona, nos Estados Unidos, um funcionário que falava português foi chamado para dar uma ordem a elas: “Diga a elas que não podem se abraçar!”. A história foi contada à BBC News (21/6) pelo próprio funcionário Antar Davidson, também filho de brasileiros nascido na Califórnia, que pediu demissão do local após o ocorrido. Esse relato se soma a fotos, áudios, vídeos, denúncias e capas de jornais e revistas — como da emblemática Time (foto abaixo) — que vêm à tona como repercussão à política de imigração de “tolerância zero” adotada pelo presidente norte-americano, Donald Trump. 
Desde abril, a nova regra é que todo imigrante que tente entrar nos Estados Unidos de maneira irregular será considerado um delinquente, mesmo que não tenha antecedentes criminais. O governo Trump passou a processar criminalmente os imigrantes ilegais e as crianças são separadas dos pais, enquanto estes estão presos, e levadas para abrigos. A medida foi adotada como forma de intimidar a imigração com a ameaça de separação das famílias. Como informou El País (19/6), a partir de estatísticas obtidas pela agência Associated Press, entre 19 de abril e 6 de junho, 2.033 crianças foram afastadas dos pais ao tentarem entrar ilegalmente nos pontos fronteiriços oficiais — o que não incluem aqueles que chegaram pelas vias não oficiais, como pela travessia de bote no rio Grande (na fronteira com o México).
Entre as mais de 2 mil crianças, há pelo menos 49 brasileiros, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores publicados pela BBC Brasil (23/6). O Itamaraty divulgou nota (20/6) em que afirma que essa política é “uma prática cruel e em clara dissonância com instrumentos internacionais de proteção aos direitos da criança”. Trump justificou a medida de separação dizendo que havia “herdado” uma lei do governo Obama e mandou que “os democratas” (opositores ao seu governo) mudassem a lei deles; mas a informação não é correta, como explicou a BBC: embora a legislação usada por Trump para deportar as pessoas já existisse antes, a separação de famílias é uma decisão administrativa do seu governo. 
Ainda em junho, o governo Trump voltou atrás e suspendeu temporariamente a política de tolerância zero, por não haver espaço para abrigar as famílias detidas, como noticiou o G1 (26/6). No entanto, de acordo com a Anistia Internacional, “milhares de famílias já foram separadas e o governo dos EUA não anunciou planos para reuni-las”. Segundo a organização, as crianças continuam em tendas e armazéns na fronteira com o México e seus pais e familiares enfrentam o risco de serem deportados sem saber se verão seus filhos novamente.

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