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Revista Radis sumula

 

Em sessão pública realizada na Câmara Municipal dos Vereadores de São Paulo (11/10), a comissão organizadora do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos divulgou os vencedores e as menções honrosas de sua 40ª edição. Entre os trabalhos premiados estão a charge “Marquinha”, de Brum, publicada no jornal Tribuna do Norte, em Natal (RN); a série de reportagens “Trans: o difícil caminho para a educação”, assinada por Marcelo Henrique Andrade para a Rádio CBN, em João Pessoa (PB); o hotsite #UmaPorUma, de Ciara Carvalho, no Recife; a reportagem “A Síndrome do Preconceito”, de Nathan Fernandes publicada na revista Galileu, em São Paulo; e “Defensores sob ameaça”, matéria de Mariana Fabre exibida na TV Brasil em Guará (DF). A lista com todos os vencedores está disponível no site do Instituto: https://goo.gl/VrT9jP.

Dia 25 de outubro é considerado o Dia da Democracia no Brasil, numa referência à data de assassinato do jornalista Vladimir Herzog, há 43 anos, em um dos episódios mais emblemáticos do período da ditadura militar brasileira. Uma semana antes, no entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) extinguiu o processo que condenou o coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra a pagar indenização de R$ 100 mil à família de outro jornalista, Luiz Eduardo Merlino, morto e torturado nos porões do DOI-CODI em 1971. Ustra era o chefe do órgão de repressão política neste período, quando foram registradas ao menos 45 mortes e desaparecimentos forçados, segundo a Comissão Nacional da Verdade.

Sessenta e nove por cento dos brasileiros aprovam a Democracia no país, revelou pesquisa feita pelo Instituto Datafolha durante pesquisa eleitoral (5/10). Segundo o instituto, o índice é o mais alto desde 1989, primeira aferição da série histórica, na primeira eleição direta para a Presidência após o fim do regime militar. O levantamento indicou que a democracia tem maior índice de aprovação da entre os jovens, nascidos depois da redemocratização. No estrato de 16 a 24 anos, 74% dos eleitores concordam que o sistema democrático é “sempre a melhor forma de governo”. Em relação à faixa etária, a ideia de que o regime com eleições diretas é melhor tem menos respaldo entre os menos escolarizados (55%) e maior apoio entre os mais escolarizados (84%).

Em cartaz até o dia 16 de maio de 2019 no Museu de Arte do Rio de Janeiro, a exposição “Arte Democracia Utopia — quem não luta tá morto”, com curadoria de Moacir dos Anjos, reúne trabalhos de artistas brasileiros contemporâneos, além de propostas e ações realizadas por grupos comunitários, associações e outras articulações da sociedade civil que visam a construção de estruturas de atuação política e social. “Quem não luta tá morto é frase gritada por muitas e muitos dos que teimam em construir, em estado de constante disputa, lugares e tempos mais generosos e inclusivos. É frase dita bem alto, em particular, por aquelas e aqueles que buscam fazer valer, no Brasil, o direito constitucional à terra e à moradia. Frase que sintetiza a certeza vital que move a construção utópica: a impossibilidade de estancar a busca do que se deseja e do que se precisa”, resume o curador. Os trabalhos expostos no museu foram concebidos a partir dos conceitos de vida, morte e luta. Para Moacir, adotar a palavra de ordem como título da exposição é “querer estar junto, é querer fazer multidão. É lembrar que, enquanto houver desigualdades de acesso à condição de vida que para alguns já existe há muito, a história não tem fim”.

A iraquiana Nadia Murad é sobrevivente da escravidão sexual imposta pelo Estado Islâmico no Iraque. O médico Denis Mukwege ajudou a tratar cerca de 30 mil vítimas de violência sexual na República Democrática do Congo, muitas das quais mulheres tratadas como espólio de guerra. Ambos são os vencedores do prêmio Nobel da Paz deste ano. Nadia, de 25 anos, se tornou ativista dos direitos humanos após escapar dos terroristas, em 2014. Ela liderou uma campanha para impedir o tráfico de pessoas e libertar o grupo étnico-religioso da yazidi, ao qual pertence, composto por cerca de 400 mil pessoas. A etnia é considerada “infiel” pelos extremistas do Estado islâmico. “Espero que ajude a levar justiça às mulheres que sofreram violência sexual”, afirmou Nadia após ser informada do prêmio, conforme noticiou o portal G1 (1/10). O congolês Denis Mukwege, por sua vez, pediu ao mundo para acabar com o estupro como arma de guerra, dizendo que um “sistema de impunidade” ainda prevalece em muitos dos países mais afetados, declarou ele em entrevista publicada na agência internacional de notícias Reuters (19/10).
O Comitê Norueguês do Nobel emitiu declaração no site da premiação afirmando que os laureados foram cruciais em chamar atenção para o combate a esses crimes de guerra. No Twitter, o comitê se posicionou, afirmando que “um mundo mais pacífico só pode ser possível se as mulheres, seus direitos fundamentais e segurança forem reconhecidos e assegurados em uma guerra”. Os vencedores vão dividir o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, o equivalente a 1 milhão de dólares.

O prêmio Nobel de Medicina de 2018 foi para um novo tipo de terapia contra o câncer que “desativa o freio” do sistema imunológico humano e é considerada uma nova esperança para a cura da doença. Os agraciados foram os imunologistas James P. Allison, dos Estados Unidos, e Tasuku Honjo, do Japão. A imunoterapia, que mira mais especificamente as células cancerígenas, é considerada uma nova fronteira nos tratamentos contra o câncer. Tanto Allison quanto Honjo, que trabalharam separadamente e vão dividir o prêmio de 1 milhão de dólares, estudaram na década de 1990 proteínas que impedem que as principais células de defesa do corpo, as células T, ataquem as células cancerígenas.
Quando o sistema imunológico detecta a presença de ameaças no organismo, como vírus e bactérias, estas células se agarram às substâncias exógenas, o que estimula uma resposta imunológica de larga escala. Diversas proteínas mensageiras também estão envolvidas nesse processo. Algumas potencializam a resposta do sistema imunológico e outras servem como freios, prevenindo uma resposta exagerada. No caso do câncer, o sistema de defesa do corpo nem sempre consegue identificar os tumores e atacá-los. Allison, professor na Universidade do Texas, estudou no início dos anos 1990 a proteína CTLA-4, que funciona como uma espécie de freio do linfócito T. Honjo, professor na Universidade de Kyoto, descobriu em 1992 outra proteína na superfície dos linfócitos T: a PD-1, que também freia as células imunológicas, mas com outro mecanismo. É neste ponto que os trabalhos dos dois pesquisadores provaram ser revolucionários. Com as descobertas, os pesquisadores passaram a desenvolver medicamentos que inibem a atividade dessas proteínas, estimulando o sistema imunológico a atacar tumores.

“Eliminar a miséria não é uma questão de caridade, mas de justiça”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em pronunciamento no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (17/10). Nos últimos 25 anos, quase 1 bilhão de pessoas saíram da pobreza, graças à liderança política, ao desenvolvimento econômico inclusivo e à cooperação internacional, acrescentou Guterres. Para continuar a combater o problema, a Unesco defendeu o acesso universal à educação básica e a uma formação ampla, que combata costumes sociais associados a desigualdades. Meta número 1 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), a eliminação da pobreza até o ano de 2030 passa, segundo a ONU, pela implementação de sistemas de proteção social. “Há uma conexão fundamental entre a erradicação da extrema pobreza e a garantia de direitos iguais para todas as pessoas”, ressaltou o secretário-geral. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) alertou para as diferentes formas de privação, que não estão necessariamente relacionadas à renda, mas ao acesso a serviços e direitos, como educação, saúde e saneamento. Guterres cobrou ainda que os países “não deixem ninguém para trás”. Confira alguns números sobre a pobreza mundial deste e de outros organismos internacionais, como o Banco Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

  • 10% da população mundial vivem na pobreza extrema.
  • 700 milhões de pessoas são impedidas de terem suas necessidades básicas atendidas por causa da pobreza.
  • 1,90 dólar por dia por pessoa (cerca de 7 reais) caracterizam a pobreza extrema, para o Banco Mundial.
  • 1,3 bilhão de pessoas ainda vivem na chamada “pobreza multidimensional” —não são apenas pobres em termos de renda, também lhes falta saúde, educação e padrões mínimos de vida, segundo o PNUD.

Fonte: ONU
Relatório na íntegra (em inglês) https://goo.gl/QbsFL2

Ativistas da luta contra a aids esperam que o presidente eleito Jair Bolsonaro garanta acesso aos antirretrovirais no SUS e a continuidade da política de aids no Brasil. Escutados pela Agência de Notícia da Aids (28/10), eles são unânimes ao requerer o fortalecimento da política de enfrentamento à epidemia no país. “A Constituição diz que temos garantia ao direito à vida, por isso, vamos lutar pelo cumprimento da lei. Que o novo presidente tenha ciência da importância da política de aids no Brasil e que precisamos juntos unir forças contra essa epidemia que ainda mata muita gente no Brasil e no mundo”, declarou Juliana Corrêa, representante do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas do Amazonas e integrante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+Brasil); “É preciso ampliar os recursos para o SUS. É fundamental garantir todos os princípios do SUS, a ampliação de recursos para a resposta a aids, reforçar o papel da sociedade civil e ter peito para enfrentar as patentes de medicamentos”, requereu Salvador Correa, integrante da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA). Confira as opiniões na íntegra em https://goo.gl/SQhLoi

“A atenção primária à saúde é o meio mais eficiente e eficaz para alcançar a saúde para todos. Mas muitas vezes é a parte do sistema de saúde mais carente de recursos e com maior lacuna nas comunidades pobres e marginalizadas”, alerta um dos cartazes da Conferência Global sobre Atenção Primária à Saúde. O evento, que partiu do tema “De Alma-Ata para a cobertura universal de saúde e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, aconteceu na cidade de Astana, no Cazaquistão, 25 e 26 de outubro de 2018, e teve o objetivo de reafirmar os compromissos expressos na “ambiciosa e visionária” Declaração de Alma-Ata, firmada em 1978, e pela Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
No primeiro dia da conferência, uma nova declaração (elaborada com a contribuição de diversos países) foi apresentada aos participantes, onde estes se comprometem em fazer escolhas políticas ousadas para a saúde em todos os setores; construir cuidados de saúde primários sustentáveis; capacitar indivíduos e comunidades; e alinhar o apoio das partes interessadas às políticas, estratégias e planos nacionais.
A Declaração de Astana, no entanto, foi vista com reservas por pesquisadores da Fiocruz presentes à conferência, que temem que o documento desvirtue o que propunha a Declaração de Alma-Ata, como registrou a Agência Fiocruz (26/10). O grupo observou que algumas sugestões vinham tratando a atenção primária à saúde como sinônimo de “cobertura universal de saúde”, centrada na cobertura financeira, o que não necessariamente garante acesso aos serviços de acordo com as necessidades de saúde.
Em contraposição, a Fiocruz propôs, a partir de um grupo de trabalho, um documento onde defende a Atenção Primária à Saúde integral, o direito universal de saúde e sistemas públicos universais de saúde — como o SUS. O texto foi sintetizado a partir de contribuições de pesquisadores sobre os temas mencionados nas primeiras propostas da Carta de Astana e outros constantes da programação da conferência. A Declaração de Astana pode ser lida em https://goo.gl/RsFnks. O documento que firma a posição brasileira, também disponível em espanhol e inglês, pode ser acessado em https://goo.gl/evmte7
 

A maior parte dos idosos brasileiros dependem exclusivamente o SUS, segundo os resultados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), divulgado pelo Ministério da Saúde. De acordo com o levantamento, 75% dos idosos utilizam o sistema público e 83% deles realizaram pelo menos uma consulta médica nos últimos 12 meses. O levantamento foi coordenado pela Fiocruz e identificou no período que 10% do grupo foram hospitalizados uma ou mais vezes. Atualmente, os idosos representam 14% dos brasileiros, o que corresponde a 29 milhões de pessoas. Em 2030, o número de pessoas acima de 50 anos (idade a partir da qual, estes pesquisadores monitoram o processo de envelhecimento) deve superar o de crianças e adolescentes de zero a quatorze anos.

  • 75% dos idosos dependem do SUS
  • 40% dos idosos possuem uma doença crônica
  • 30% possuem duas ou mais doenças crônicas, como diabetes, hipertensão ou artrite
  • 85% da população com 50 anos ou mais vivem em áreas urbanas