Portal ENSP - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca Portal FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz

Estados Unidos registra aumento no uso de antidepressivos | CECOVISA

Início

Estados Unidos registra aumento no uso de antidepressivos

Um estudo realizado em conjunto por pesquisadores das universidades de Columbia e Pensilvânia indica que o uso de antidepressivos nos Estados Unidos dobrou entre os anos de 1996 e 2005. No ano de 1996, cerca de 13 milhões de americanos (6% da população) faziam uso destes medicamentos. Atualmente, este mercado movimenta quase US$ 10 bilhões por ano, alimentados pelos 27 milhões de americanos que tomam medicamentos antidepressivos. Só em 2008, 164 milhões de prescrições médicas foram escritas.
O estudo indica que todos os tipos de antidepressivos tiveram aumento no registro das vendas, mas o paroxetina (Paxil) e o fluoxetina (Prozac), foram os que mais se destacaram na preferência das receitas médicas. Os pesquisadores avaliaram dados da agência nacional de saúde americana e revisaram o histórico médico de mais de 50 mil pessoas.
- Percebemos também que, neste período, além do aumento do uso de antidepressivos, houve também um crescimento no uso de antipsicóticos. As pessoas também estão frequentando menos a terapia.
Na busca do entendimento dos motivos que provocaram o aumento nas vendas destes medicamentos, os pesquisadores lançam teorias que podem ajudar a solucionar a questão. Para eles, a redução do preconceito do diagnóstico de depressão e medicamentos mais avançados contribuem para o tratamento da doença, mas alertam para o uso indiscriminado dos antidepressivos provocados pela propaganda excessiva. Os responsáveis pelo estudo também criticam a postura adotada por vários médicos, que preferem prescrever o medicamento a conduzir o paciente a sessões de terapia.
Em 2005, a agência reguladora de medicamentos dos EUA, Food and Drug Administration (FDA), determinou maior rigidez na venda de antidepressivos após pesquisas indicarem que eles podem aumentar o risco de suicídio em crianças, adolescentes e jovens de até 24 anos de idade. O FDA recomendou ainda que as embalagens devem conter informações de que os pacientes que tomam tais medicamentos devem "ser cuidadosamente monitorados, especialmente quando se submetem a tratamentos antidepressivos". Em julho deste ano o FDA publicou um alerta para o Zyban, medicamento usado no tratamento contra o tabagismo, mas também vendido sob o nome Welbutrin, para o tratamento de depressão. Segundo o órgão regulador, o Zyban seria um dos responsáveis pelos cinco mil relatos de alterações comportamentais e tendências suicidas.
No entanto, uma pesquisa divulgada no início de 2008 e realizada por pesquisadores britânicos da Universidade de Hull causou divergências entre autoridades e laboratórios farmacêuticos. O estudo concluiu que os medicamentos conhecidos como Inibidores Seletivos da Recaptura de Serotonina (ISRS) - que aumentam o nível da serotonina no cérebro - são pouco eficazes para a maioria dos pacientes que se submetem ao tratamento da depressão. Entre os medicamentos examinados estavam o Prozac, Seroxat e Efexor, todos amplamente comercializados na Grã-Bretanha. Para os pesquisadores, os antidepressivos “ajudam apenas um pequeno grupo de pessoas que sofrem de depressão severa, o que significa que pacientes com depressão podem melhorar sem tratamento químico”. Os laboratórios Eli Lilly, que fabrica o Prozac e GlaxoSmithKline, que produz o Sexorat, afirmaram que “extensas pesquisas médicas e científicas demonstraram que os medicamentos são eficazes” e que a pesquisa realizada pela Universidade de Hull se concentrou em “uma pequena amostra do total de dados disponíveis”.

Data: 
07/08/2009
Compartilhar

Curso Filmes na Visa

Boletim Digital

Receba nossas últimas notícias

entrevista

Em entrevista para o Cecovisa/Ensp a professora Márcia Aparecida Ribeiro de Carvalho falou sobre os principais avanços e desafios da graduação em saúde coletiva da UFRJ. Ela apontou que "O maior desafio atualmente é a institucionalização e operacionalização das atividades de extensão e disseminação dos conhecimentos acadêmicos para a comunidade externa à universidade com aplicação desses conhecimentos no seu cotidiano..."
Leia Mais