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"O maior desafio atualmente é a institucionalização e operacionalização das atividades de extensão e disseminação dos conhecimentos acadêmicos para a comunidade externa à universidade com aplicação desses conhecimentos no seu cotidiano..." | CECOVISA

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"O maior desafio atualmente é a institucionalização e operacionalização das atividades de extensão e disseminação dos conhecimentos acadêmicos para a comunidade externa à universidade com aplicação desses conhecimentos no seu cotidiano..."

entrevistado: 
Márcia Aparecida Ribeiro de Carvalho
Data da Entrevista: 
26/06/2017

Em entrevista para o Cecovisa/Ensp a professora Márcia Aparecida Ribeiro de Carvalho falou sobre os principais avanços e desafios da graduação em saúde coletiva da UFRJ.  Ela apontou que "O maior desafio atualmente é a institucionalização e operacionalização das atividades de extensão e disseminação dos conhecimentos acadêmicos para a comunidade externa à universidade com aplicação desses conhecimentos no seu cotidiano..." 

Até recentemente a formação em saúde pública/coletiva ocorria principalmente nos cursos de pós-graduação do lato sensu. A própria Ensp é exemplo desse movimento. Na virada do século XXI inicia-se um processo de discussão para a criação de cursos de graduação em saúde coletiva, antecipando a formação de sanitaristas no Brasil. Atualmente, são dezenas desses cursos no país, mesmo que com conteúdos e nomenclaturas variadas.

O Curso de Graduação em Saúde Coletiva (CGSC) do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é um dos pioneiros no Brasil.

  1. Você poderia descrever sucintamente sobre quais são os antecedentes e qual é a atual formatação do CGSC/IESC/UFRJ?

O curso de graduação em saúde coletiva do IESC surgiu como proposta em 2006, porém, foi formulado e aprovado em 2008 e teve sua primeira turma iniciada em 2009. A entrada no curso é anual e recebemos em média 40 alunos.

O CGSC tem carga horária total de 3.285 horas com duração mínima de 4 anos ou 8 períodos e máxima de 6 anos ou 12 períodos. A formação acadêmica do bacharel em Saúde Coletiva articula conteúdos em sua grade curricular das áreas de Epidemiologia; Ciências Sociais e Humanas em Saúde; Política, Planejamento e Gestão em Saúde; Saúde, Ambiente e Trabalho; Bioética e de outras áreas complementares.

O aluno cursa disciplinas obrigatórias e eletivas, outros requisitos curriculares complementares previstos no projeto do curso, além de um trabalho de conclusão de curso (TCC). As disciplinas obrigatórias somam 1.845h e as disciplinas eletivas 420h, os requisitos complementares abrangem 1.020h. As diretrizes curriculares estão em consonância com as diretrizes curriculares nacionais que recentemente foram discutidas em fórum nacional, sendo necessária ainda a adequação do estágio curricular obrigatório.

No entanto, muitos alunos não integralizam o curso no tempo mínimo previsto e temos também problemas relacionados à evasão. Para superar estes problemas a direção atual tem feito um diagnóstico das causas e discussões com o corpo social para adequação da carga horária e grade curricular, além do período do curso (parcial ou integral).

 

  1. Qual é a relevância dada aos conhecimentos e práticas que envolvem a vigilância em saúde no curso?

Os conhecimentos e práticas da vigilância em saúde são abordados em diversas disciplinas do curso, pois perpassam os conhecimentos das áreas temáticas do Instituto que ministram as disciplinas. Estão formalizados nas disciplinas obrigatórias: Bases conceituais da vigilância em saúde (30h), Vigilância ambiental em saúde (45h), Vigilância epidemiológica (60h) e Vigilância sanitária (45h), e ainda nas disciplinas teórico-prática, nomeadas Atividades Integradas em Saúde Coletiva (AISC) que se distribuem por todos os períodos fazendo com que os alunos vivenciem o sistema de saúde nos seus diferentes níveis.

  1. Em relação a essas áreas, qual é a relevância dada à vigilância sanitária no curso?

A vigilância sanitária constitui uma disciplina obrigatória de 45 horas. Apesar de ser um percentual pequeno em relação à carga horária total de disciplinas obrigatórias do curso, esta oferece a possibilidade de todos os alunos obterem um conhecimento “mínimo” do vasto campo da vigilância sanitária. Em uma roda de conversa da qual participei no último Simbravisa, realizado em Salvador em 2016, com alunos e professores de cursos de graduação em saúde coletiva constatei que em outros cursos a vigilância sanitária não faz parte do rol de disciplinas obrigatórias.

O conteúdo abordado atualmente na disciplina obrigatória apresenta um panorama geral da vigilância sanitária em um curto período (45h). Na disciplina teórico-prática há maior articulação entre conteúdos, pois a prática é responsável pela maior parte da carga horária da disciplina e é necessário compreender a atuação do profissional, para isto são necessários conhecimentos das diferentes áreas.

Para aprofundar e articular o conteúdo de vigilância sanitária seria necessária uma carga horária maior e participação de diferentes docentes, ou ainda, a proposição de novas disciplinas eletivas relacionadas à área.

Além do mais no IESC, a disciplina teórico-prática, AISC, oferece a possibilidade de imersão no cotidiano da vigilância sanitária do município do Rio de Janeiro. A subsecretaria de vigilância, fiscalização sanitária e controle de zoonoses do RJ (SUBVISA) é uma grande parceira e tem recebido nossos alunos, os quais têm muito interesse por este campo, apesar das incertezas de inserção futura neste ramo de trabalho da saúde coletiva, dada a precarização que os serviços, em geral, vêm sofrendo. Alguns alunos também já realizaram atividades práticas junto aos pesquisadores do Cecovisa/ENSP, atuando em projetos de pesquisa e organização de eventos científicos.

 

  1. Como está o quadro atualmente em relação a inserção dos egressos da graduação em Saúde Coletiva no mercado de trabalho?

 

Os alunos egressos da graduação em saúde coletiva vêm buscando seu espaço no mercado de trabalho e atuando com grande empenho na regulamentação da profissão. Não saberia quantificar exatamente, mas temos contato com muitos alunos que retornam ao IESC para a pós-graduação stricto senso (mestrado) e lato senso (residência), que realizam pós-graduação também em outras instituições como a ENSP/FIOCRUZ e o IMS/UERJ, que estão empregados no terceiro setor e também em instituições públicas.

 

  1. Quais sugestões você apontaria para a melhoria do curso?

 

Acredito que para melhorar o curso é necessária maior integração entre as áreas do Instituto e a participação dos alunos nas discussões sobre as adequações e mudanças em diversas questões como a carga horária e a grade de disciplinas, por exemplo. O maior desafio atualmente é a institucionalização e operacionalização das atividades de extensão e disseminação dos conhecimentos acadêmicos para a comunidade externa à universidade com aplicação desses conhecimentos no seu cotidiano.

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Em entrevista para o Cecovisa/Ensp a professora Márcia Aparecida Ribeiro de Carvalho falou sobre os principais avanços e desafios da graduação em saúde coletiva da UFRJ. Ela apontou que "O maior desafio atualmente é a institucionalização e operacionalização das atividades de extensão e disseminação dos conhecimentos acadêmicos para a comunidade externa à universidade com aplicação desses conhecimentos no seu cotidiano..."
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